domingo, 5 de fevereiro de 2012

Você já riu hoje?





Rir é mais comum do que pensa e pode trazer benefícios que você nem imagina
Por Thaís Bronzo

Rir é uma das coisas mais comuns que fazemos em nosso dia-a-dia. E os motivos para tantas gargalhadas são inúmeros.

“Acho engraçado os desenhos da TV. E rio também quando fazem cosquinhas em mim”, diz Maria Clara Lima Divetta, cinco anos.

“Eu dou muita risada com minha cachorra, quando meu namorado conta piadas, quando minha mãe tenta falar em inglês e não sai nada”, relembra, rindo, supervisora de telemarketing Bruna Meante, 22 anos.

“Histórias engraçadas sempre me fazem rir. Nem sempre piada é engraçada, mas situações inusitadas que acabam sendo engraçadas, tombos, essas coisas, me fazem rir”, conta a jornalista Mayra Dugaich, 21 anos.

A neurocientista Silvia Helena Cardoso explica que a maioria dos nossos risos não está diretamente ligada ao humor. “Nós rimos, essencialmente, em situações sociais e geralmente em momentos de felicidade, prazer e brincadeiras”, garante. Mas o riso é muito mais do que uma mera manifestação de alegria, ele também ameniza manifestações de agressividade e hostilidade. “Repare como utilizamos o riso quando queremos atenuar uma típica tensão entre estranhos ou necessitamos dizer ‘não’ a alguém. Freqüentemente rimos quando nos desculpamos. O riso desarma as pessoas, cria uma ponte entre elas e facilita o comportamento amigável”, completa. Ou seja, a função do riso é comunicar, passar a mensagem de que somos amigáveis e estamos dispostos a nos envolver com outras pessoas.

Além da questão social, o riso também provoca efeitos positivos em nosso organismo: diminui o estresse, a ansiedade, a dor, reforça a imunidade. Segundo Silvia Helena, o riso desencadeia diversas reações fisiológicas:
-Ativa o sistema cardiovascular, aumentando a freqüência cardíaca e a pressão arterial. Com a dilatação das artérias, há uma queda da pressão;
-Aumentando o fluxo sanguíneo nos órgãos por causa das contrações fortes e repetidas dos músculos da parede torácica, abdômen e diafragma;
-Aumenta o fluxo de oxigênio no sangue por causa da respiração forçada (“O ‘Ha! Ha! Ha!’ do riso”, como explica a neurocientista); e
-Diminui a tensão muscular.

Com tantas vantagens, a medicina já começou a utilizar o riso como forma de remédio em seus tratamentos, como é o caso dos “Terapeutas do Riso”. Um grupo de artistas que, vestidos de jalecos brancos e com caras de palhaço, leva humor a pacientes de todas as idades internados em hospitais. “O palhaço tem o poder de diminuir, aliviar as dores, provocar em cada um a descoberta da capacidade e o poder de transformar o ambiente, estimular a alegria, a vontade e o desejo de reação, o relaxamento e a naturalidade das expressões e vontades, amenizar o sofrimento, diminuir o estresse”, garante a coordenadora geral do projeto Dalvinha Gomes (apelido como é conhecida no grupo). O trabalho de transmitir o riso é duplamente satisfatório: pela redução de cerca de dez por cento no tempo de internação do paciente e pelo sorriso de quem recebe esses “médicos-palhaços”.

E então, que tal colocar em prática a terapia do riso em sua vida?

Se rir é o melhor remédio, por que não começar agora?

Coordenadora dos “Terapeutas do Riso” dá dicas para viver melhor

Por Thaís Bronzo
O riso é um excelente remédio para o ser humano, tem ação prolongada, é prazeroso e não tem contra-indicação.

De acordo com a coordenadora geral dos “Terapeutas do Riso”, Dalvinha Gomes (apelido como é conhecida no grupo), existem algumas dicas para viver melhor:
-Pensar sempre no que se quer e nunca, nunca no que você não quer e não gosta. Pois o ser humano tem a tendência a pensar, a falar nas coisas que não gosta e não quer para a sua vida. Somos o que pensamos e falamos;
-Sempre pensar que nós só merecemos o melhor, isso quer dizer: ter pensamento positivo sempre;
-Que hoje é o melhor dia do ano;
-Olhar o lado engraçado e divertido das pessoas;
-Praticar o exercício de rir de você mesmo;
-Somos pessoas ativas de nossa história e não vítimas da história; e
-Seja igual ao palhaço: mostre o seu ridículo e divirta-se!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Você é o reflexo de suas atitudes!





Certo dia, uma moça desiludida resolveu seguir o exemplo dos "contos da infância". Colocou-se frente ao seu espelho e perguntou: - Querido espelho, olhe para mim e me diga: Existe alguém mais infeliz do que eu? - Com certeza, respondeu o espelho, existe alguém mais triste que tu neste momento. E este alguém sou eu. A moça olhou espantada. Não esperasse que um espelho falasse, e ainda contra ela. Mas o espelho prosseguiu: - Tu não imaginas a dor que eu sinto ao ver, no meu reflexo, uma pessoa que deixou seus problemas tomarem conta de sua vida, que não tem mais vontade de lutar e principalmente que não consegue ver dentro de si as suas qualidades suas capacidades, seu talento. Queria que estivesse no meu lugar pra ver. - Tu és uma pessoa tão inteligente, que fala para todos que tem um Deus, e tantas vezes falou do amor de Deus, agora se mostra tão derrotado. Deus é tão pequeno assim em tua vida para que tu te sintas tão inferior assim? - É pena que tu não vejas através de mim toda a tua facilidade em lidar com as pessoas, o quanto é expressiva a tua voz e tua palavra, quanto teu coração é forte, e o quanto às pessoas te amam. Olhe para ti! Levanta essa cabeça, pois dificuldades todos temos, assim como todos guardam dentro de si algo especial para dar, a capacidade de tornar a própria vida prazerosa. - Quantas são as pessoas que gostariam de ser como tu és: saudável, inteligente e com toda a vida pela frente! e no entanto, muitas delas são felizes e agradecem a Deus pelas suas vidas! Use a tua sensibilidade - ela é essencial para a vida. Motive-se: ao acordar pela manhã, pense algo do tipo: "hoje meu dia será produtivo, alegre e cheio de vida, pois tenho Deus comigo." Faça isso com amor no coração e concentre em teus objetivos. De hoje em diante, quero ver outra imagem refletida em mim. Uma imagem de alegria interior. A vida é tão curta. Não percas tempo com os momentos ruins. Faça deles experiências positivas para continuar tua vida. Ser feliz depende de uma vida em comunhão com Deus e em harmonia contigo mesmo. O que vem depois disso, são apenas resultados.
ESTRESSE, ANSIEDADE E ESGOTAMENTO
Dr. Geraldo Ballone

 
 
Ansiedade e Estresse
É normal sentir Ansiedade ?
Como sentimos emocionalmente a ansiedade ?
Como sentimos fisicamente a Ansiedade? Fisiologia do Estresse
Como começa o Estresse ?
Podemos nos acostumar ao Estresse ?
Quando nos esgotamos ?
O Esgotamento
O que favorece o Esgotamento ?
O que se pode sentir no Esgotamento ?
Tipos de Estressores
O que é um Estressor ?
O que é um Estressor forte e um Estressor fraco ?
Quando e Quem se Esgota
Disposição Pessoal
Condições Emocionais Atuais
Quando surge o esgotamento

 
ESTRESSE, ANSIEDADE E ESGOTAMENTO
Em nossos ancestrais, assim como em outros animais superiores, o mecanismo da Ansiedade (e Estresse) foi destinado à sobrevivência diante dos perigos concretos e próprios da luta pela vida. Era o caso, por exemplo, das ameaças de animais ferozes, das guerras tribais, das catástrofes do tempo, da busca pelo alimento, da luta pelo espaço geográfico, etc. No ser humano moderno, apesar dessas ameaças concretas não mais existirem tal como existiram outrora, seja por sua natureza, seja por sua freqüência, esse equipamento biológico continuou existindo, persistiu em nossa biologia a capacidade de reagirmos ansiosamente diante das ameaças.
Com a civilidade do ser humano, outros perigos apareceram e ocuparam o lugar daqueles que estressavam nossos ancestrais arqueológicos. Hoje em dia, tememos a competitividade e a segurança sociais, a competência profissional, a sobrevivência econômica, as perspectivas futuras e mais uma infinidade de ameaças abstratas e reais. Enfim, tudo isso passou a representar a mesma ameaça que as antigas questões de pura sobrevivência, as quais ameaçavam nossos ancestrais. Se na antigüidade tais ameaças eram concretas e a pessoa tinha noção exata do objeto a combater (fugir ou atacar), localizável no tempo e no espaço, hoje em dia esse objeto de perigo vive dentro de nós. As ameaças são abstratas, mas nem por isso menos agressivas; elas vivem, dormem e acordam conosco.
Se, em épocas primitivas o coração palpitava, a respiração ofegava e a pele transpirava diante de um animal feroz a nos atacar, se ficávamos estressados diante da invasão de uma tribo inimiga, hoje em dia nosso coração bate mais forte diante do desemprego, dos preços altos, das dificuldades para educação dos filhos, das perspectivas de um futuro sombrio, dos muitos compromissos econômicos cotidianos e assim por diante. Como se vê, hoje nossa Ansiedade é continuada e crônica. Se a adrenalina antes aumentava só de vez em quando, hoje ela está aumentada quase diariamente.
Ansiedade, Estresse e Esgotamento são termos de uso corrente na vida moderna e, devido a enorme freqüência com que aparecem em nosso discurso cotidiano, ninguém gosta de pensar neles como formas de algum transtorno emocional, é claro. Para um esclarecimento inicial, vamos ver as diferenças entre eles, se existem.
 
ANSIEDADE E ESTRESSE
É normal sentir Ansiedade ?
A Ansiedade seria uma atitude normal e global do organismo, portanto fisiológica, responsável pela sua adaptação a alguma situação nova e atual. O simples ato de despertarmos e nos levantarmos pela manhã, exige de nosso organismo um pequeno grau de ansiedade necessário para nos adaptarmos à nova situação; antes dormindo, depois acordado e, agora, levantado. Essa (pequena) ansiedade é então normal e necessária.
Em outras situações do cotidiano necessitamos de um grau de ansiedade maior. Vejamos, por exemplo, as mudanças acontecidas em nossa performance física quando um cachorro feroz tenta nos atacar, quando fugimos de um incêndio, quando passamos apuros no trânsito, quando tentam nos agredir e assim por diante. Diante de situações novas, às vezes perigosas, nossa performance física pode ter um desempenho extraordinário, pode fazer coisas que normalmente não seríamos capazes de fazer em situações mais calmas. Se não existisse esse mecanismo que nos coloca em posição de alerta ou alarme, que é a ansiedade, talvez nossa espécie nem teria sobrevivido às adversidades encontradas pelos nossos ancestrais.
Entretanto, embora a Ansiedade favoreça a performance e a adaptação do indivíduo às circunstâncias, ela o faz somente até certo ponto, até o ponto onde nosso organismo atinja um máximo de eficiência. A partir desse ponto máximo de adaptação a Ansiedade, ao invés de contribuir, promoverá exatamente o contrário, ou seja, poderá resultar na falência da capacidade adaptativa. A partir desse ponto crítico, a Ansiedade será tanta que não mais favorecerá a adaptação, promovendo então o Esgotamento da capacidade adaptativa. Vejamos ao lado, a ilustração de um gráfico hipotético, onde teríamos um aumento da adaptação proporcional ao aumento da Ansiedade até um ponto máximo, com plena capacidade adaptativa. A partir desse ponto o desempenho ou adaptação cai vertiginosamente. Aí se caracteriza o que chamamos de Esgotamento. Esgotamento da capacidade adaptativa.
Cientificamente a Ansiedade é a mesma coisa que Estresse. Ao experimentar a Ansiedade o organismo estaria experimentando o Estresse, embora no conceito leigo, quando se diz que Fulano está com Estresse, as pessoas querem dizer que Fulano está atravessando uma fase de extrema Ansiedade e, possivelmente, de Esgotamento. Assim sendo, apenas para facilitar o entendimento cultural da questão, vamos dizer aqui que Estresse seria a mesma coisa que Ansiedade exagerada ou patológica.
Devemos considerar o Estresse uma ocorrência fisiológica e normal no reino animal. O Estresse é a atitude biológica necessária para a adaptação do organismo a uma nova situação. Em medicina entende-se o Estresse como uma ocorrência fisiológica global, tanto do ponto de vista físico quanto do ponto de vista emocional. As primeiras pesquisas médicas sobre o Estresse estudaram toda uma constelação de alterações orgânicas produzidas no organismo diante de uma situação de agressão.
Fisicamente o Estresse aparece quando o organismo é submetido a uma nova situação, como uma cirurgia ou uma infecção, por exemplo, ou, do ponto de vista psico-emocional, quando há uma situação percebida como de ameaça. De qualquer forma, trata-se de um organismo submetido a uma situação nova (física ou psíquica), pela qual ele terá de lutar e adaptar-se, conseqüentemente, terá de superar. Portanto, o Estresse é um mecanismo indispensável para a manutenção da adaptação à vida, indispensável pois, à sobrevivência.
Do ponto de vista fisiológico, o Estresse é, por assim dizer, uma atitude fisiológica (normal) responsável pela adaptação do organismo às situações de perigo. Vejamos, por exemplo, as mudanças acontecidas em nossa performance física quando um cachorro feroz tenta nos atacar, quando fugimos de um incêndio, quando passamos apuros no trânsito, quando tentam nos agredir e assim por diante. De frente para o perigo nossa performance física faz coisas extraordinárias, coisas que normalmente não seríamos capazes de fazer em situações mais calmas. Se não existisse esse mecanismo a nos colocar em posição de alerta ou alarme, talvez nossa espécie nem teria sobrevivido às adversidades encontradas pelos nossos ancestrais.
Como a Ansiedade (ou Estresse) tem uma conotação global ao organismo, ela proporcionará alterações físicas e emocionais. Vejamos ambas.
Como sentimos emocionalmente a ansiedade ?
Psicologicamente, e normalmente, a Ansiedade aparece em nossa vida como um sentimento de apreensão, uma sensação de que algo está para acontecer, uma expectativa e um estado de alerta. Quando mais intensa, a Ansiedade é responsável por uma constante pressa em terminar as coisas que ainda nem começamos, um estado de "susto crônico e contínuo".
É assim que o Domingo das pessoas ansiosas tem uma apreensão de segunda-feira e antes de dormirem já pensam em tudo que terão de fazer quando o dia amanhecer. É a corrida para não deixar nada para trás. É um estado de alarme contínuo e uma prontidão para o que der e vier. As férias são tranqüilas e festivas apenas nos primeiros dias mas, logo em seguida, começam a se agitar: ou porque sentem que não estão fazendo alguma coisa que deveriam fazer, embora não saibam bem o que, ou porque pensam em tudo aquilo que terão de fazer quando as férias terminarem.
Quando a Ansiedade é crônica e exagerada, ou quando há Esgotamento conseqüente, surge um quadro clínico mais exuberante. Nas diferentes pessoas esse quadro de Ansiedade patológica pode assumir características também diferentes. Algumas pessoas traduzem seu Esgotamento num quadro de Fobia, outras apresentam Pânico, outras ainda, manifestam Somatizações, alguns se sentem deprimidos e assim por diante. Veremos isso adiante.
 
Como sentimos fisicamente a Ansiedade?
Fisicamente há, no Estresse ou Ansiedade, alterações bastante significativas. A necessidade de se adaptar tem início no Sistema Nervoso Central (SNC) e daí passa a comprometer todo o organismo. A região neurológica mais importante para o início do processo orgânico de ansiedade é o Hipotálamo, uma região capaz de integrar uma série de informações recebidas pelo SNC. Depois de integradas essas informações o Hipotálamo age sobre a "glândula chefe" do sistema endócrino, a Hipófise, situada em seu assoalho.
A Hipófise, então, como "glândula chefe" , passa a estimular toda a constelação endócrina do organismo. As Supra-Renais (cuja produção inclui adrenalina e cortisona) são glândulas da maior importância no processo de Ansiedade e Estresse. Portanto, através de um esquema neuro-endócrino-visceral todo organismo participará da atitude do Estresse e da Ansiedade, como veremos adiante.
Segundo Kaplan, a Ansiedade patológica tem uma ocorrência duas vezes maior no sexo feminino e se estima que até 5% da população geral tenha algum tipo de Transtorno de Ansiedade. Sendo a Ansiedade uma grande mobilizadora do Sistema Nervoso Autônomo, neste tipo de transtorno encontramos, sobretudo, uma rica sintomatologia física. Esta é uma razão mais que suficiente para que tais pacientes freqüentemente percorram um exaustivo itinerário médico. Sobre a sintomatologia geral da Ansiedade aumentada, comumente se observa pelo menos SEIS dos 18 sintomas seguintes:
 
 
01 - tremores ou sensação de fraqueza 10 - náuseas e diarréia
02 - tensão ou dor muscular 11 - rubor ou calafrios
03 - inquietação 12 – polaciúria (urina muitas vezes)
04 - fadiga fácil 13 – sensação de bolo na garganta
05 - falta de ar ou sensação de fôlego curto 14 - impaciência
06 - palpitações 15 - resposta exagerada à surpresa
07 - sudorese, mãos frias e úmidas 16 - pouca concentração ou memória prejudicada
08 - boca seca 17 - dificuldade em conciliar e manter o sono
09 - vertigens e tonturas 18 – irritabilidade

 

Esses sintomas são de natureza inespecífica, podendo surgir indistintamente em todas as pessoas submetidas à forte estresse. Trata-se de manifestações basicamente psico-neuro-biológicas conseqüentes ao desequilíbrio do Sistema Nervoso Autônomo. Tal quadro costuma estar relacionados ao Estresse crônico, tem um curso flutuante (vão e vêem) e tendência a cronificação quando não tratado.
Por outro lado, além das manifestações gerais e inespecífica da Ansiedade, podemos ter uma repercussão individual, pessoal e de acordo com as predisposições de personalidade. Aí surgem então os quadros e sintomas psíquicos da Ansiedade Patológica.
FISIOLOGIA DO ESTRESSE
Tendo em vista que o objetivo principal do Estresse é favorecer a adaptação do organismo, muitos autores chamam esse processo todo de Síndrome Geral de Adaptação. Essa síndrome foi inicialmente descrita por Hanz Selye e consiste em três fases sucessivas: Reação de Alarme, Fase de Resistência e Fase de Exaustão. Sendo que a última, Fase de Exaustão, é atingida apenas nas situações mais graves e, normalmente, persistentes. Vejamos uma a uma.
Como começa o Estresse?
O Estresse começa com a Reação de Alarme, esta se subdivide em dois estados, a fase de choque e a fase de contra-choque. As alterações fisiológicas na fase de choque, momento onde o indivíduo experimenta a ameaça ou estímulo adverso (estressor), são muito exuberantes (Quadro 1).
Durante a Reação de Alarme, o chamado Sistema Nervos Autônomo (SNA) participa ativamente do conjunto de alterações fisiológicas. Trata-se, este SNA, de um complexo conjunto neurológico que controla, autonomamente, todo o meio interno do organismo através da ativação e inibição dos diversos sistemas, vísceras e glândulas.
Durante a Fase de Choque da Reação de Alarme, que é como o susto inicial do estresse, predomina a atuação de uma parte deste SNA chamado de Sistema Simpático, o qual proporciona descargas de adrenalina da medula da glândula supra-renal e de noradrenalina das fibras pós-ganglionares para a corrente sanguínea. Alguns estudos mais recentes sugerem que a emoção da raiva, quando dirigida para fora, estava associada mais à secreção de noradrenalina. Entretanto, na depressão e a na ansiedade, onde os sentimentos estão dirigidos mais para si próprio, a secreção de adrenalina predomina.
 
 
QUADRO 1 - ALTERAÇÕES INICIADAS NA FASE DE CHOQUE DA REAÇÃO DE ALARME
ALTERAÇÕES
OBJETIVOS
a) aumento da frequência cardíaca e pressão arterial o sangue circulando mais rápido melhora a atividade muscular esquelética e cerebral, facilitando a ação e o movimento
b) contração do baço levar mais glóbulos vermelhos à corrente sanguínea e melhora a oxigenação do organismo e de áreas estratégicas
c) o fígado libera glicose
 
 
para ser utilizado como alimento e energia para os músculos e cérebro
d) redistribuição sanguínea diminui o sangue dirigido à pele e vísceras, aumentando para músculos e cérebro
e) aumento da frequência respiratória e dilatação dos brônquios favorece a captação de mais oxigênio
f) dilatação das pupilas para aumentar a eficiência visual
g) aumento do número de linfócitos na corrente sanguínea preparar os tecidos para possíveis danos por agentes externos agressores

 
Ainda durante essa fase em que está havendo estimulação estressante aguda, uma parte do Sistema Nervoso Central denominado Hipotálamo promove a liberação de um hormônio, o qual, por sua vez, estimula a hipófise (glândula situada no assoalho do Hipotálamo) a liberar um outro hormônio, o ACTH. Este último ganha a corrente sanguínea e estimula as glândulas Supra-renais para a secreção de corticóides.
Como percebemos, toda a seqüência de acontecimentos tem origem no cérebro, e o Hipotálamo é que acaba disparando a sucessão de eventos orgânicos do Estresse. Ao mesmo tempo em que esse Hipotálamo está providenciando a estimulação da Hipófise para secreção do ACTH, também proporciona a secreção outros neuro-hormônios (hormônios produzidos no cérebro), tais como os chamados peptídeos cerebrais, como é o caso das endorfinas (que modificam o limiar para dor), STH (que acelera o metabolismo), prolactina e outros.
Passada a necessidade de Estresse, ou seja, desaparecendo os agentes estressores, todas essas alterações tendem a se interromper e regredir. Se, no entanto, por alguma razão o organismo continua sendo submetido à estimulação estressante, portanto, continua sendo obrigado a manter seu esforço de adaptação, uma nova fase acontecerá. Trata-se da Fase de Resistência.
Podemos nos acostumar ao Estresse ?
Durante algum tempo sim. É a chamada Fase de Resistência, a qual se caracteriza, basicamente, pela hiperatividade da glândula supra-renal sob influência do SNC através do Diencéfalo, Hipotálamo e Hipófise. É uma fase que surge quando persiste a ação do estímulo estressor e, nesse período, há um aumento no volume da supra-renal, concomitante a uma atrofia do baço e das estruturas linfáticas e um continuado aumento dos glóbulos brancos do sangue (leucocitose).
Se os estímulos estressores continuam, tornando-se crônicos e repetitivos, a resposta começa a diminuir de intensidade e pode haver uma antecipação das respostas. É como se o organismo se acostumasse com os estressores. Vamos imaginar, hipoteticamente, uma pessoa que se deparasse com uma cobra no meio de sua sala, quase todas as vezes que entrasse em casa. Com o tempo sua reação ao ver a (mesma) cobra tende a diminuir, embora ainda continue tomando muito cuidado.
Vai chegar um momento em que, mesmo não vendo a cobra, ficará estressado diante da simples possibilidade de encontrá-la. Talvez tenha grande ansiedade ao imaginar onde poderia estar hoje a tal cobra. Diz um ditado que a diferença entre medo e ansiedade é exatamente essa; medo é encontrar uma cobra dentro do quarto, e ansiedade é saber que deve ter uma cobra dentro do quarto. Continuando ainda o agente estressor o organismo vai à terceira fase da Síndrome Geral de Adaptação, a Fase de Exaustão.
Quando nos esgotamos ?
Nos esgotamos quando, por excesso de uso, começam a falhar os mecanismos de adaptação e déficit das reservas de energia. Essa fase é chamada de Esgotamento e é grave, podendo até levar à morte alguns organismos, notadamente alguns pássaros, animais silvestres mantidos em cativeiro... A maioria dos sintomas somáticos e psicossomáticos fica mais exuberante nessa fase.
Como se supõe, a resistência do organismo não é ilimitada. As modificações biológicas que aparecem nessa fase se assemelham aquelas da Reação de Alarme em sua etapa de choque mas, ao contrário desta, no esgotamento o organismo já não é capaz de equilibrar-se por si só e sobrevém a falência adaptativa.
O ESGOTAMENTO
O que favorece o Esgotamento ?
O que se entende por Esgotamento, estado que resulta da persistência crônica da ansiedade exagerada, pode ter origem em duas situações; uma por questões circunstanciais e outra por situações pessoais.
A primeira situação é quando um indivíduo emocionalmente normal tem que se adaptar a um estímulo (externo ou interno) significativamente importante e que persiste continuadamente. Nesse caso haveria Esgotamento por falência adaptativa devido aos esforços (emocionais) continuados para superar a situação estressora persistente.
Normalmente os estímulos capazes de levar ao Esgotamento por persistência do agente estressor costumam ser de natureza adversa e ameaçadora, quer dizer, estímulos que seriam ameaçadores tanto para a pessoa que a ele reage, como também para quaisquer outras pessoas eventualmente submetidos à mesma situação. Neste caso o problema do Esgotamento é externo à pessoa, dependendo da adversidade e persistência do estímulo, ou seja, trata-se de um problema mais circunstancial que pessoal.
A segunda situação seria o Esgotamento que aparece quando a pessoa não dispõe de estabilidade emocional suficientemente para adaptar-se a estímulos não tão traumáticos ou adversos. Isso quer dizer que a pessoa sucumbiria, emocionalmente, diante de situações não tão ameaçadoras a outras pessoas colocadas na mesma situação.
Não obstante, esses estímulos seria estressores ou particularmente agressivos a essa determinada pessoa, seria uma ameaça subjetivamente representada mais para essa pessoa em particular do que para as demais pessoas. Neste caso o problema do Esgotamento seria mais pessoal que circunstancial.
Digamos então, que o Esgotamento, ou a Ansiedade crônica e patológica, poderia surgir diante de duas situações: decorrendo daquilo que a realidade do mundo traz para pessoa (circunstancial) e, por outro lado, decorrendo daquilo que a pessoa traz ao mundo (pessoal). A primeira representada pelo destino da pessoa e a segunda pelo seu perfil emocional pessoal.
O que se pode sentir no Esgotamento ?
Diante do Esgotamento, o organismo todo pode entrar em sofrimento. É como se esgotasse não apenas sua capacidade de adaptação às diversas circunstâncias de vida mas, sobretudo, como se perdesse a capacidade de se adaptar a si mesmo. Nesses casos de Esgotamento, há acentuado prejuízo do limiar de tolerância aos estímulos externos e acentuada inadequação ambiental.
Existe uma vasta lista de sintomas vagos e inespecíficos desencadeados pelo Esgotamento, sintomas estes, muitas vezes misteriosos e dificilmente esclarecidos por exames médicos.
 
 
 
Lista 1 SINTOMAS VAGOS DOS ESTADOS DE ESGOTAMENTO
Dores sem causa física:
cabeça, abdominais, pernas, costas, peito e outras
Alterações do sono:
insônia ou sonolência excessiva
Perda de energia:
desânimo, desinteresse, apatia, fadiga fácil 
Irritabilidade:
perda de paciência, explosividade, inquietação
Ansiedade: 
apreensão contínua, inquietação, às vezes medo inespecífico
Baixo desempenho:
alterações sexuais, memória, concentração, tomada de decisões
Queixas vagas:
tonturas, zumbidos, palpitações, falta de ar, bolo na garganta


TIPOS DE ESTRESSORES
O que é um Estressor ?
A ansiedade e o estresse não são monopólios do ser humano. Se colocarmos um gato junto de um cão feroz, depois de algum tempo de estresse o gato ficará esgotado; primeiro ele terá muita ansiedade, entrará em estresse e, pela continuidade do estímulo ameaçador (presença do cão), acabará se esgotando. Nesse exemplo, o cão é o estressor do gato e este é o estressor do cão.
Tendo em vista o fato do gato representar uma ameaça menos ameaçadora para o cão do que o cão para ele, o cão também acabará com esgotamento, porém, provavelmente bem depois do gato. Nesse exemplo, o cão representa para o gato um estímulo agressivo externo, por estar fora do gato e, inato, por fazer parte da natureza biológica de todos os gatos.
Assim sendo, os estressores (estímulos) que desencadeiam a ansiedade nos animais podem ter duas naturezas e uma só origem: quanto à natureza eles podem ser inatos, do tipo gato tem medo de cachorro ou, por outro lado, podem ser condicionados por treinamento e experiência. Quanto à origem, serão sempre externos, partindo do pressuposto que os animais não têm condições para alimentar conflitos intrapsíquicos.
No ser humano, ao contrário dos animais, esses estressores costumam ter duas origens. Eles podem ser externos e, principalmente, internos. Os estímulos estressores externos representam as ameaças do cotidiano de cada um, seja uma ameaça física, tanto sobre a segurança pessoal quanto em relação à saúde, seja uma ameaça moral, econômica, etc., enfim, são ameaças exteriores à pessoa. Por sua vez, as ameaças internas provêem dos conflitos pessoais de cada um, os quais, em última instância, refletem sempre nossa sensibilidade afetiva diante da vida, das perspectivas futuras, da situação atual e mesmo das desavenças passadas.
Como se suspeita, no ser humano os estímulos internos são aqueles que desempenham maior papel no desenvolvimento e manutenção do estresse. Essas ameaças normalmente são interiores, abstratas, continuamente presentes e freqüentemente invencíveis.
Podemos dizer, por exemplo, que a possibilidade de ficar doente seja uma séria ameaça, um estímulo estressor importante. É claro que é. Entretanto, se essa idéia vier sempre e obsessivamente à nossa consciência, podemos experimentar uma grande ansiedade ou, ao contrário, não experimentaremos tanta ansiedade se essa idéia não for freqüente. Esse tipo estímulo estressor é interno e não externo. Seria um estímulo externo caso houvesse, de fato, sinais clínicos de que nossa saúde está abalada. Enquanto houver apenas o medo de passar mal, de poder ficar doente, isso será uma ameaça interna.
Ora, enquanto nos animais os estressores (estímulos agressivos) externos aparecem periodicamente, de acordo com o destino de cada um, no ser humano a presença dos estressores internos pode ser continuada. Havendo uma afetividade problemática, insegurança e/ou pessimismo, a pessoa sentirá as ameaças internas continuamente e, nessas circunstâncias, poderemos ter o esgotamento por persistência do agente estressor.
É por causa desses estressores internos contínuos que a ansiedade humana tem sido constante, exagerada e às vezes patológica. As ameaças externas, pelo contrário, não costumam ser constantes. Vejamos o caso das ameaças concretas sobre nossa segurança pessoal, por exemplo: a ameaça de sermos assaltados, agredidos, mortos, etc. A possibilidade até existe, mas não é contínua. Há situações onde podemos nos sentir seguros, racionalmente falando.
Não obstante, os estressores internos costumam ser mais emocionais que racionais. Isso quer dizer que podemos estar ansiosos devido ao medo de sermos assaltados e agredidos, embora essa possibilidade seja mínima na prática. Além disso, podemos nos deparar com o medo do desemprego, da derrota competitiva, da falta de segurança social e econômica, ou qualquer outra coisa que não se encontra palpável no tempo ou no espaço (como é o assaltante). Nós convivemos, vamos dormir e acordamos, com essas ameaças internas.
Resumindo, vamos ter que os estímulos necessários para determinar a ansiedade são provenientes de duas origens: serão externos, quando se devem à sucessão de acontecimentos de nossa vida aos quais temos que nos adaptar e, serão internos, quando se originam dentro de nós mesmos, de nossos medos, nossos pensamentos negativos, nossas inseguranças.
 
O que é um Estressor forte e um Estressor fraco ?
Vários autores tentaram estabelecer alguma espécie de graduação de importância para os vários estímulos estressores possíveis no cotidiano. Embora algumas listas possam dar a idéia de grau ou da força variável dos estressores, como por exemplo, separação conjugal seria mais estressante que mudança de emprego e menos estressante do que a morte do filho. Entretanto, essas tabelas perdem o valor quando consideramos que as pessoas são muito diferentes quanto à sensibilidade e a forma de reagir aos desafios impostos pela vida.
Algumas pessoas podem superar perfeitamente perdas importantes, enquanto outros podem desenvolver transtornos emocionais como resposta a acontecimentos de menor importância. As variáveis pessoais desempenham um papel decisivo na maneira de reagir aos eventos de vida.
De um modo geral, pelo menos é bom termos em mente que existem categorias de estressores que nos impõem grandes esforços adaptativos, como por exemplo, a morte de um ente querido, uma grande perda, severos revezes econômicos, constatação de doença séria, etc., e, ao lado desses, existem os pequenos acontecimentos estressantes do cotidiano que acontecem com maior freqüência na vida das pessoas. Finalmente, existe ainda a influência dos conflitos íntimos pessoais.
Mas, além dos acontecimentos considerados estressantes para desencadear e manter o estresse há, também, necessidade de uma certa vulnerabilidade pessoal à ansiedade. Vulnerabilidade pessoal é uma espécie de tendência constitucional ou natureza pessoal a reagir mais ansiosamente aos estímulos estressantes.
Um exemplo médico para entender melhor o estresse seria, a reação alérgica. Se, dentro de um mesmo ambiente impregnado de bolor, existirem 10 pessoas e 3 delas reagirem com espirros, coriza e lacrimejamento como sinais de alérgica ao mofo, não se pode, medicamente falando, atribuir ao fungo ou bolor a causa direta da alergia. Se assim fosse todos os demais também teriam essa reação. Para ocorrer a reação alérgica é indispensável existir, além do o mofo, também a sensibilidade pessoal do alérgico.
Finalizando, a natureza mais forte ou mais fraca de um agente estressor dependerá não apenas do agente em si mas, sobretudo, da sensibilidade da pessoa que está experimentando esse estímulo.
QUANDO E QUEM SE ESGOTA
Devemos ter em mente, que a ansiedade e ou o estresse não são doenças em si, mas podem proporcionar o desenvolvimento de outros males. A ansiedade e o estresse podem ser entendidos como tentativas do indivíduo (veja que não uso o termo mental nem físico) em se adaptar a alguma situação nova, tratam-se de uma mobilização global do organismo que aparece quando este é submetido a uma tensão suficientemente forte.
Como vimos acima, são necessárias causas exteriores e interiores para haver o estresse e, conseqüentemente, o esgotamento. Supondo que o ser humano moderno vive entre sua casa, seu trabalho e a sociedade cultural à qual pertence, as causas exteriores do estresse (agentes estressores) são, possivelmente, oriundas desses 3 ambientes.
Supondo também que para o desenvolvimento do estresse patológico, é necessária uma certa sensibilidade pessoal, sem a qual os agentes (estressores) ocasionais não seriam capazes de produzir a reação de estresse, teremos que considerar as disposições pessoais dos indivíduos que se estressam.
Finalmente, devemos entender essas disposições pessoais necessárias para a ansiedade patológica e para o estresse, como sendo uma combinação entre os traços pessoais de personalidade, juntamente com a qualidade psíquica atual da pessoa que se estressa.
 
 
CAUSALIDADE DA REAÇÃO DE ESTRESSE
CAUSAS EXTERIORES CAUSAS INTERIORES
No trabalho Condições Emocionais Atuais
No lar Disposições Pessoais
Na sociedade

Disposição Pessoal
O termo Disposição Pessoal se refere aos traços de personalidade que fazem da pessoa um ser único, logo, com um jeito todo próprio de se relacionar com a realidade. Existem pessoas naturalmente mais ansiosas que as outras, portanto, mais vulneráveis às situações capazes de produzir a ansiedade. Essa Disposição Pessoal acaba por caracterizar uma maneira da pessoa ser (não de estar).
Podemos observar características diferentes entre as diferentes pessoas desde tenra idade, até em berçários; entre os recém nascidos há aqueles mais ansiosos, que choram mais diante do estímulo da fome, que reagem mais agitadamente que outros ao frio, aos estranhos, etc. Esse traço que exalta a maneira ansiosa de reagir pode ser herdado geneticamente ou adquirido ao longo da vida, normalmente devido a uma sucessão exagerada de eventos que exigem grande esforço adaptativo.
Na vida prática, as pessoas com traço marcante de ansiedade costumam reagir estressadamente diante de estímulos que, normalmente, para outras pessoas não seriam tão estressantes assim.
Condições Emocionais Atuais
Neste caso estamos falando do estado psíquico atual da pessoa, de como está se sentindo emocionalmente neste momento. Algumas pessoas podem ser vítimas de uma sucessão de eventos estressantes e acabar se esgotando, mesmo que não tenha em sua personalidade traços de ansiedade exagerada. Nesses casos houve, realmente, um excesso de agentes estressores que acabou por comprometer a capacidade adaptativa de uma pessoa emocionalmente normal.
Quando surge o esgotamento
Podemos idealizar um esquema bastante sugestivo que mostra as duas situações onde é possível surgir o Esgotamento. A Figura 2, mostra duas situações propícias ao Esgotamento. Na primeira, vê-se contrabalançando com a possibilidade de esgotamento uma pessoa com grande potencial ansioso submetido a uma carga pequena de agentes estressores (AE). Na segunda, vê-se o contrário, ou seja, uma pessoa com potencial ansioso pequeno, mas submetido à grande quantidade de agentes estressores (AE).
O Autor
 

CachorrosBlogs.: Cachorros - Terapias Antidepressivas/Estimulantes.

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

AS CAUSAS DAS DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS

São desconhecidas. Geralmente, apresentam-se como uma característica da família. As pessoas que sofrem desses distúrbios geralmente apresentam outras alterações da personalidade (personalidade narcísica ou dependente). Podem-se diferenciar dois tipos de distúrbios: os agudos e isolados (dor de cabeça, urticária, etc) e os crônicos e gerais (asma, úlcera, alergia, etc).
Sintomas:
Os pacientes que geralmente manifestam esse tipo de doenças apresentam as seguintes características:
· alguma doença orgânica real;
· dificuldade para reconhecer e expressar os seus próprios sentimentos;
· um ego bastante fraco ou frágil, com escassos recursos psíquicos;
· relação entre o aparecimento da doença orgânica e os conflitos, principalmente de alto impacto emocional;
· escassa capacidade para tolerar fatores de estresse;
· escassa capacidade de simbolização.
As síndromes e os sintomas psicossomáticos mais freqüentes são os relacionados com o aparelho digestivo, o respiratório, os sistemas vascular, locomotor, endócrino, e cutâneo.
Os sintomas mais freqüentes são: dor de cabeça, náuseas, vômitos, dor abdominal, menstruações dolorosas, perda da consciência ou do desejo sexual.
Diagnóstico:
As pessoas psicossomáticas não têm consciência de que a origem dos seus problemas é fundamentalmente psicológica, exigindo dos médicos a realização de exames e tratamentos diversos. Depois de ter sido determinado que a alteração é psicológica, a diferença existente com relação a outras doenças é determinada segundo a quantidade de sintomas e a extensão dos mesmos. A descrição dramática dos sintomas feita pelo paciente também contribui para o diagnóstico.
Tratamento:
A doença psicossomática geralmente permanece durante toda a vida, com gravidade variável e períodos de remissão dos sintomas. Recomendam-se as terapias de contenção, que procuram que o paciente obtenha melhores recursos para enfrentar os fatores de estresse e possa identificar e expressar os seus sentimentos.
No caso de o paciente ser menor de idade, sugere-se tratar também os pais, pois a crise psicossomática pode estar indicando conflitos no relacionamento familiar.
(Fonte: Site Salutia)

VICIADA EM CHOCOLATE
Devorar muitos bombons em poucos minutos é uma forma de a mulher compensar a queda de serotonina no cérebro.
Será o chocolate realmente uma espécie de droga?
Alguns acreditam que sim. Achei este artigo interessante para fazer uma avaliação:

Chochito, bombom, chocolate diet, alfajor, chicabon, bôlo de chocolate, etc.
Será que tudo que eu gosto é imoral, é ilegal ou engorda? (Já dizia o Roberto).
E além de tudo agora é droga!
Que droga! Ô lôco, meu!
Há mulheres que têm um desejo incontrolável por chocolate. Embora as razões ainda não tenham sido totalmente esclarecidas pela psiquiatria, sabe-se que esse "vício" é mais freqüente na fase pré-menstrual, quando ocorrem alterações nos níveis hormonais e queda na produção de serotonina. "O déficit desse neurotransmissor aumenta a sensação de tristeza e abatimento, tornando a mulher irritável e deprimida", explica Simone Mancini Castilho, especialista em Transtorno Alimentar no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo.
O distúrbio, chamado craving (o termo é aplicado também para a compulsão por outros alimentos), não ocorre apenas pela textura, pelo aroma ou pelo sabor do chocolate. É que em sua composição existe um aminoácido, chamado triptofano, responsável pela produção de serotonina no cérebro, cujo efeito é relaxante. "O consumo de chocolate é maior no início da noite, justamente por aliviar a tensão vivida durante o dia", afirma Simone.
A dependência ocorre por conta de ingredientes psicoativos do chocolate, as metilxantinas, que provocam bem-estar, efeito semelhante aos canabinóides, presentes na maconha.(Thaís Cavalheiro)

sábado, 17 de dezembro de 2011

Dores " Doenças" Emocionais

        Você conhece alguém que sente dores sem causa? Explico. A pessoa sente dores, por exemplo, cabeça, ombros, braços, pulsos, joelhos, tornozelos, costas ou outra parte qualquer do corpo. A pessoa vai ao médico. Ele examina o paciente, pede os exames e constata-se que não há qualquer problema físico, mas as dores continuam...
          Surge, cada vez mais intenso, um ramo do conhecimento denominado doenças psicossomáticas. Ou seja, emoções que provocam conseqüências físicas, orgânicas. O problema não está na estrutura física, biológica e sim na estrutura emocional.
                


  O fato de serem dores emocionais não diminue a intensidade. Ou seja, as dores emocionais doem tanto quanto as dores de origem física, como um machucado.
                 


Como as doenças (dores) emocionais operam? Não quero dar uma resposta definitiva, pois as causas são várias. Entretanto, podemos dar algumas das causas para efeito de reflexão.
                


  Imagine um indivíduo descontente com o que faz. Ele acredita que a sua rotina de trabalho é pouco interessante e não o faz melhor. Entretanto, ele sabe que o mercado de trabalho é concorrido e, às vezes, não possui habilidades para encontrar outro trabalho melhor. Aí surge a LER (lesão por esforço repetitivo - perceba o "repetitivo"). A doença é muito conveniente, pois impede o indivíduo de fazer aquele trabalho (que não gosta), mantém o emprego (pois ele não quer trocar ou não tem conhecimento para coisa melhor). O indivíduo não precisa arcar com o ônus da decisão de trocar de emprego. Conveniente, não?
                 


O parceiro não quer deitar-se com o cônjuge e, ... vem aquela dor de cabeça.
A vida está pouco interessante e surgem as dores de cabeça mais freqüentes.
O indivíduo está ansioso esperando o resultado de um exame ou de uma entrevista e surge aquela dor no joelho.
                


  A pessoa está frustrada com ela mesma por uma razão qualquer e, nesse dia, sofre um acidente, como um corte na mão, um tropeço na escada ou perde aquela oportunidade tão interessante.
                 


Ou seja, a doença (dor) psicossomática é uma forma do indivíduo fazer ou não fazer algo que ele não gosta, sem que tenha o ônus da decisão. A doença é uma maneira cômoda de eximir-se das responsabilidades das decisões. É uma justificativa aceita por todos. Veja a diferença: "Não fiz isso porque estava com dor de cabeça" (Deitar-se com o parceiro, por exemplo). "Não fiz isso, pois tenho medo das conseqüências". Qual a justificativa é mais facilmente aceita e qual o ônus da decisão é menor?
                 


Como saber, se a dor (doença) é psicossomática? Sentiu a dor, consulte um médico. Ele o examinará, pedirá os exames necessários e se não constatar nada, provavelmente, trata-se de dor psicossomática. Como enfrentá-la?
          Para vencer uma dor psicológica deve-se ir à raiz do problema e enfrentá-lo.
       


Não se trata de algo simples, mas perfeitamente possível. Lembra-se dos meus artigos confrontando emoção e respiração? A respiração é um caminho viável, mas não o único.
                


  Não se deixe abater. É muito cômodo dizer: "O médico disse que não tem cura ou que não há nada a fazer" (já ouvi essa justificativa). Você quer ser refém da dor? Se a resposta é não, faz-se necessário assumir o ônus da decisão e enfrentar a causa. Eu acho que vale a pena.        

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

As emoções e o coração

Marco Aurélio Dias, falecido recentemente, era cardiologista e trabalhava no Instituto Dante Pazzanese, um dos maiores centros de cardiologia do Estado de São Paulo. No livro "Quem Ama não Adoece", dirigido ao público leigo, discutiu a influência das emoções nas doenças humanas, especialmente nas doenças do coração.

CANSAÇO OU ESTRESSE?
Às vezes, o indivíduo chega em casa depois de um dia de trabalho pesado, desaba sobre o sofá e geme –“Estou estressado”-, mas tem a cabeça leve e sonha com um futuro mais tranquilo e menos estafante. Isso não é estresse, é cansaço que se vence com algumas horas de repouso e de sono. No entanto, se as preocupações com a promissória no banco, o filho que não se acerta na vida, o risco de perder o emprego, os desencontros afetivos e a falta de perspectivas não o abandonam, em pouco tempo estará dominado por uma carga prejudicial de estresse.
Evolutivamente, o homem não foi preparado para suportar o grau de tensão contínua e constante a que está exposto todos os dias. Ao deparar-se com a fera ameaçadora, o homem primitivo matava-a ou fugia. De volta à caverna, relaxava e recompunha o equilíbrio orgânico e emocional indispensável para sua sobrevivência. Hoje, o direito a essa pausa revigorante desapareceu da vida das pessoas. Mergulhadas nos compromissos e problemas, elas nem se dão conta de quanto corpo reclama dessa agressão permanente.
Recomendar mudanças no estilo de vida pode parecer utopia. No entanto, se esse processo não for interrompido, os males causados à saúde e à qualidade de vida podem tornar-se irreversíveis.
ESTRESSE
Drauzio - Através de que mecanismos as emoções exercem influência sobre o corpo?
Marco Aurélio Dias - A influência das emoções sobre o corpo manifesta-se por vários caminhos. Vamos começar pelo estresse e suas consequências na vida do homem contemporâneo .
Estresse é o estado de tensão gerado no interior do organismo dos animais mamíferos, entre eles o homem, diante de situação boa ou ruim que ameace perturbar seu equilíbrio interno. Embora usualmente o classifiquem como nocivo, todos necessitamos de uma cota de estresse para enfrentar os acontecimentos do dia a dia.
O estresse constitui problema, quando o estado de tensão interior diante da perspectiva de situações ameaçadoras torna-se permanente, crônico, pois cada vez que nosso psiquismo percebe o perigo, envia ordens ao sistema endócrino e as glândulas suprarrenais liberam substâncias na corrente sanguínea, que preparam o organismo para um possível combate. Esse mecanismo é fisiológico e natural.
MECANISMO DO ESTRESSE
Drauzio - Pode-se afirmar, então, que sem estresse o homem não teria sobrevivido?
Marco Aurélio Dias - Nem o homem, nem qualquer outro animal. No entanto, temos de comparar o que acontecia nos tempos pré-históricos, quando o comportamento dos homens e dos outros animais era semelhante, com aquele que ocorre atualmente. Costumo dizer que o inimigo mudou muito, de exterior passou a interior, e que o mecanismo acionado para enfrentar as ameaças tem um componente subjetivo maior do que a realidade objetivamente representa.
Há milhares de anos, quando o homem primitivo saía da caverna e topava com um tigre faminto, a ameaça era real, concreta. Hoje, ao sair de casa apressado para um compromisso importante, se não encontra as chaves do carro, o mecanismo físico desencadeado é exatamente o mesmo, embora seja desproporcional ao estímulo.
Ora, o que é nocivo no estresse? É a perpetuação desse sistema de alarme, não as ocasiões agudas de raiva ou de medo que, muitas vezes, se resolvem por si mesmas. Prejudicial é o indivíduo permanentemente tenso, ansioso, angustiado, pronto para uma batalha que nunca se concretiza. Isso desgasta as artérias, faz subir a pressão arterial, compromete o coração e responde por longa série de outras doenças.
Drauzio - O homem que saía da caverna e dava de cara com o tigre, era obrigado a tomar uma atitude: ou voltava para a caverna, ou enfrentava o tigre, ou corria feito louco. Hoje, quando não encontra a chave do carro e está atrasado, fica nervoso, mas não toma atitude alguma que ajude a descarregar seu estresse. Entretanto, convenhamos, seu nervosismo há de ser infinitamente menor que o do homem pré-histórico diante do tigre ameaçador. Como se explica esse raciocínio?
Marco Aurélio Dias - Quando o psiquismo do homem percebe uma ameaça a seu equilíbrio que, no entender do organismo, põe em risco sua vida, desencadeia um sistema de alarme. Suponha um gato encurralado num canto por um cão. É certo que seu psiquismo reconhece o risco e, em questão de segundos, automaticamente, por ordem do cérebro, substâncias chamadas de catecolaminas (a mais conhecida delas é a adrenalina) são lançadas na corrente sanguínea para preparar o organismo para enfrentar o perigo.
Como reage o gato? Seus olhos ficam maiores e as pupilas mais dilatadas para que enxergue melhor o inimigo. Seus pelos eriçam-se para que seu aspecto torne-se mais assustador. O coração bate mais rápido e mais forte, a pressão arterial sobe para que haja energia disponível para a luta ou para a fuga. O sangue resultante do aumento da frequência cardíaca será desviado da região central do corpo para as extremidades, para as patas do animal, porque o organismo sabe o quanto dependerá delas naquele momento. Os esfíncteres (pequenos anéis musculares que regulam a passagem do alimento do esôfago para o estômago, ou a saída das fezes e da urina) serão liberados, primeiro para que o odor da secreção assuste o inimigo e, depois, para deixar o animal mais leve durante o esforço físico a que será submetido.
Diante de situações de estresse, o mecanismo físico e bioquímico do homem é idêntico ao do gato. Por isso, a gente se arrepia quando leva um susto ou empalidece de raiva ou de medo. Diante do perigo, nosso coração dispara e a pressão arterial sobe. Há pessoas que vomitam ou têm vontade de urinar, quando sofrem o impacto de um desgosto. Talvez parta daí a antiga expressão “borrou-se de medo” que se aplica a esses casos .
É importante insistir, porém, que existem enormes diferenças entre nossa reação de estresse e a do animal. A primeira é o bloqueio da reação. O gato investe contra o cão ou, o mais provável, foge dele. De qualquer forma, sua musculatura vai ser ativada. O homem permanece estático. A segunda é a capacidade de relaxar. Livre do enfrentamento com o cão, o gato passeia pelos telhados ou espreguiça-se ao sol. O homem continua tenso.
Por isso, defendo que se faz necessário investir na reeducação interior. Para exemplificar, vejamos o que habitualmente ocorre num congestionamento de trânsito. Muitas pessoas assumem atitudes irracionais. Metem a mão na buzina diante de um sinal mecânico que não se abala com a impaciência, pressionam os outros e a si mesmas por alguns metros de asfalto à frente ou uns segundos de vantagem. Expõem-se a acidentes, quando a lógica aconselharia que se distraíssem ouvindo música ou o noticiário, observassem as pessoas ao redor ou reavaliassem seus valores de vida. Se assim agissem, sem dúvida, seu prejuízo seria menor. Diante disso, cabe a cada um decidir como deve reagir à pressão externa.
Não há como negar a insegurança das grandes cidades, as incertezas econômicas, a ameaça de desemprego, a pressão de consumo. As dificuldades existem, mas é o modo de encará-las que pode resultar em dose maior ou menor do indesejável estresse.
PAPEL DO ESTRESSE NOS ATAQUES CARDÍACOS
Drauzio - Ninguém discute que fatores como diabetes, cigarro, vida sedentária, colesterol elevado, influem na ocorrência dos ataques cardíacos. De acordo com sua longa experiência clínica, que força têm as emoções nessa patologia?
Marco Aurélio Dias - Acredito que desempenham papel preponderante, embora nos tratados de medicina o estresse apareça como fator secundário, provavelmente porque estudos epidemiológicos não conseguem identificá-lo nem quantificá-lo. Pode-se medir o valor do colesterol, a pressão arterial e a dosagem de açúcar no sangue, ou detectar uma alteração no eletrocardiograma. Como medir a alegria ou a tristeza de alguém, como quantificar sua emoção?
Na minha opinião, se considerarmos o sentido amplo do conceito e nele englobarmos sentimentos como intranquilidade interior, sofrimento emocional, infelicidade, o estresse é o principal fator de risco para as doenças do coração. Quem está tenso volta a fumar, tem menos ânimo para as atividades físicas, come mais para compensar a ansiedade, fica obeso e eleva o colesterol. Além disso, a pressão alta tem clara vinculação com a intranquilidade e a agressividade contida que se volta contra a própria pessoa.

Drauzio - Depois de tanta experiência acumulada, quando alguém chega para uma avaliação cardiológica, você consegue quantificar, pelo menos grosseiramente, seu nível de estresse?
Marco Aurélio Dias - Há dois tipos de pessoas: as que demonstram, no primeiro contato, seu nível de ansiedade e sofrimento, e as introvertidas, que não se abrem. O tempo e a prática, porém, encarregam-se de fazer aflorar a dor escondida.
Os anos de clínica mostraram-me que existem duas principais fontes de sofrimento: a família e o trabalho. Incluam-se, no trabalho, as dificuldades econômicas. A importância desses componentes, ou melhor dizendo, a importância do sofrimento interior no aparecimento da doença orgânica constitui a essência da medicina psicossomática.
Para melhor avaliação, o primeiro passo é incentivar o paciente a falar bastante a fim de que sua queixa fique bem caracterizada. Em seguida, ele deve ser minuciosamente examinado. Depois, é preciso saber de sua vida, das suas dores e amores, para tentar descobrir o que há por trás dos sintomas e da doença. E sempre existe alguma coisa.
É lógico que as pessoas apresentem diferentes graus de defesa para expor seus dramas pessoais. Talvez por estigma cultural, quem procura o cardiologista não está preparado para abrir a alma. Isso condiz com os consultórios de psiquiatria. Portanto, não é de estranhar que haja certa resistência no início, especialmente nos homens. As mulheres falam de suas emoções e de seus padecimentos com mais facilidade. Os homens, não. Para eles tudo vai bem e o que sentem não pesa.
Há uma estratégia que ajuda a dimensionar a força das emoções. Pergunta-se, numa escala de zero a dez, que nota cada paciente daria para seu nível de felicidade. Em geral, as notas ficam entre 6 e 8. Nunca encontrei alguém que se desse 10. Esse número serve de gancho para identificar o que falta para chegar ao 10. Quando começam a falar, não é raro perceber que as pessoas foram condescendentes em sua avaliação. Não lhes faltaria motivos para uma nota bem mais baixa.
Seria exagero e radicalismo afirmar que a emoção é responsável por todos os males. As doenças são multifatoriais. Características genéticas, ambiente, fatores de risco influem, mas o componente psíquico-emocional tem importância relevante, especialmente na doença coronariana que leva ao infarto e à angina.

COMO EVITAR O ESTRESSE
Drauzio - Já que não podemos evitar os problemas nem resolvê-los todos, qual a melhor maneira de enfrentá-los?

Marco Aurélio Dias - Como já salientamos, certo grau de estresse é inerente ao estar vivo e pode ser provocado por acontecimentos bons ou ruins. Por exemplo, se considerarmos duas importantes fontes de estresse, o casamento e a separação, veremos que, embora antagônicas, ambas são estressantes.
Entretanto, se os efeitos do estresse comprometem a saúde, a qualidade de vida e os momentos felizes, é fundamental encontrar uma saída. Nesse caso, já que as pessoas não podem fugir dele, sugiro algumas dicas para ajudá-las a minorar seus efeitos nocivos.

Dica 1- BRIGA CONTRA O RELÓGIO

Estou convencido de que o tempo pode exercer pressão negativa sobre as pessoas. A falta de intervalo entre os compromissos e a preocupação em fazer o dia render representam os fatores mais imediatos de estresse na vida moderna.
Para acabar com essa “briga contra o relógio”, é preciso tentar programar melhor a vida. Como? Evitando assumir compromissos em horários muito próximos uns dos outros, saindo de casa com tempo suficiente para enfrentar alguns imprevistos sem desespero, planejando melhor as atividades, estabelecendo prioridades e respeitando, o mais possível, o planejamento estabelecido para aquele dia.

Dica 2- ATIVIDADE FÍSICA


Atividade física regular é fundamental para o bem-estar das pessoas. Se me dissessem – Só posso pôr em prática uma de suas dicas -, sem dúvida recomendaria a atividade física, porque ajuda a combater os outros fatores de risco, facilita a descarga das tensões acumuladas e diminui os efeitos nocivos do estresse.
O indivíduo que tem uma atividade física regular, o que não significa treinar para ser atleta ou correr a maratona, geralmente não é obeso porque o excesso de peso deriva da desproporção entre o que se come e o que se gasta, deixa de fumar com mais tranquilidade, baixa o nível do mau colesterol e eleva o do bom colesterol, controla melhor a pressão arterial.
Quando falo em atividade física, insisto em três aspectos essenciais:
  • a) implementação de um estilo de vida mais ativo, isto é, procurar mexer-se sempre que possível. Quer alguns exemplos? Estacione o carro um pouco mais longe e caminhe até onde pretende ir. Esqueça-se do elevador e vá pelas escadas. Escolha lugares em que possa fazer as compras a pé;
  • b) movimentação das articulações – uma das coisas que mais comprometem a qualidade de vida das pessoas que envelhecem, é o enrijecimento das articulações. Os especialistas recomendam para quem trabalha sentado que, a cada 50 minutos, passe cinco ou dez minutos se mexendo. Espreguice, mova a cabeça de um lado para o outro, para cima e para baixo, vergue a coluna, ative as articulações para preservar sua flexibilidade e movimentos;
  • c) conceituação de atividade aeróbica regular – quando mencionamos atividade aeróbica, muitos pensam nas academias onde as pessoas se exercitam até a exaustão. Considera-se aeróbico o exercício que faz com que o organismo use oxigênio como fonte de energia. Todos os indivíduos possuem um limiar aeróbico. Por isso, se mantido o esforço, o organismo utiliza outras fontes de energia que não o oxigênio, o que era saudável passa a ser prejudicial.
A atividade aeróbica saudável é a que produz pouco cansaço e não deixa a pessoa ofegante, permitindo que converse normalmente durante os exercícios. Além disso, deve ser regular. Não é aconselhável passar a semana atrás de uma escrivaninha e, aos sábados e domingos, esfalfar-se jogando bola. O recomendado é que haja certa regularidade na prática de exercícios. O ideal seria exercitar-se pelo menos três vezes por semana sem contar os sábados e os domingos.
Outro ponto importante é o tempo que se dedica a essas atividades. Trinta minutos são suficientes para condicionar o organismo e trazer benefícios à saúde. Se a pessoa não agüenta os trinta minutos seguidos, pode dividi-los em três períodos de dez e beneficiar-se do mesmo modo. Há quem diga que não tem tempo. Meia hora por dia, todos arranjam, se quiserem. Para tanto, basta vencer a inércia inicial. Depois, a gente se acostuma e não consegue mais imaginar a vida sem atividade física.

Dica 3 – O PAPEL NOCIVO DA COMPETIÇÃO

A competição é um dos grandes males da vida moderna. É um mal para a sociedade e para o indivíduo. Cada um de nós se desgasta demais comparando conquistas e perdas pessoais com as dos outros. Com isso se perde a medida do que de fato nos traria satisfação e felicidade.
É óbvio que devemos lutar por nossos sonhos e ideais, mas preocuparmo-nos apenas em aparentar superioridade é um contrassenso lamentável. Em busca de status e projeção, muitos se desgastam tanto que adoecem, fraudam a ética, violam as leis, abandonam a família por algo que, no fundo, não tem a menor importância.
É indispensável não confundir competição com competência. Competência é querer fazer bem aquilo que se faz. Competição é desejar ser mais e melhor do que os outros. A competição traz consigo a inveja e a vaidade. Juntos, esses sentimentos podem amargurar a vida das pessoas. Quando cito a inveja, não me refiro à inveja saudável que impulsiona o indivíduo e o faz progredir. Se admiro alguém e isso me estimula a superar minhas dificuldades, essa inveja é construtiva. Se o sucesso do outro me incomoda e passo a combatê-lo, em geral subrepticiamente, essa inveja é perniciosa e o grande prejudicado é o próprio invejoso.
Com a vaidade não é muito diferente. Certo grau de vaidade, todos devemos ter, até porque faz parte do instinto sexual atrair o interesse, o bem querer e a aceitação do outro. A encrenca começa, quando a vida passa a ser pautada pela opinião alheia. Longe de mim negar o valor da autoestima. Condeno a vaidade que escraviza o projeto pessoal de vida em nome do aplauso ou da crítica dos outros.
Há uma história que ilustra bem o que quero dizer. Um homem saía de casa aborrecido e passou por um passarinho que cantava. Xingou o pássaro e seguiu caminhando. Pouco depois, outro homem cruzou com o mesmo passarinho e lhe disse:
- Que bom, passarinho, ouvir você cantando para alegrar as pessoas! e foi-se embora contente da vida.
Em seguida, passou um terceiro que sequer prestou atenção ao canto do pássaro. Pergunta-se, então, qual dos três foi mais simpático ao passarinho e a resposta é nenhum deles, porque o animalzinho não estava preocupado com o que os passantes iam achar. Cantava pelo prazer de cantar ou para atrair alguma fêmea, quem sabe, para o acasalamento.

Dica 4 – OS RELACIONAMENTOS

Estou convencido de que o segredo e a essência da qualidade de vida, da felicidade e, portanto, da saúde está na relação afetiva interpessoal que inclui não apenas o par amoroso, a família e os amigos próximos, mas todos aqueles com quem convivemos de uma maneira ou outra. Quem consegue gostar de gente e relacionar-se bem sofrerá menos os efeitos nocivos do estresse.
Tenhamos ou não consciência disso, o objetivo primeiro de nossas vidas é sermos queridos e aceitos. Para atingi-lo, porém, é preciso implantar algumas mudanças em nosso modo de viver.
Por conta das fragilidades interiores ou da insegurança, as pessoas têm medo de ferir-se nos relacionamentos afetivos e por isso cavam fossos, erguem muralhas, constroem paredes de vidro que impedem o toque e a proximidade com os semelhantes. Escondem-se atrás de armaduras com a falsa ideia de que assim estarão protegidos contra intrusos indesejáveis. Se conseguirmos, pelo menos em parte, arriar essas defesas e assumir nova postura diante das pessoas, seremos mais felizes e menos estressados.

Dica 5 -AS MUDANÇAS


Se continuarmos presos ao modelo imposto pela sociedade moderna, não vamos longe. Para mudar essa perspectiva, a humanidade precisa conscientizar-se de que vale mais a cooperação do que a competição, a colaboração do que a dominação. Vivam onde viverem, é preciso que, desguarnecidas de defesas inúteis, as pessoas aproximem-se umas das outras para estabelecer laços afetivos que permitam construir um futuro mais promissor para todos.