quarta-feira, 21 de março de 2012

Tempo

Com o tempo…
Você aprende que estar com alguém só porque esse alguém lhe oferece um bom futuro, significa que mais cedo ou mais tarde você irá querer voltar ao passado…


Com o tempo…
Você se dará conta que casar só porque “está sozinho(a)”, é uma clara advertência de que o seu matrimônio será um fracasso…


Com o tempo…
Você compreende que só quem é capaz de lhe amar com os seus defeitos, sem pretender mudar-lhe, é que pode lhe dar toda a felicidade que deseja…


Com o tempo…
Você se dará conta de que se você está ao lado de uma pessoa só para não ficar sozinho(a), com certeza uma hora você vai desejar não voltar a vê-la…


Com o tempo…
Você se dará conta de que os amigos verdadeiros valem mais do que qualquer montante de dinheiro…


Com o tempo…
Você entende que os verdadeiros amigos se contam nos dedos, e que aquele que não luta para os ter, mais cedo ou mais tarde se verá rodeado
unicamente de amizades falsas…


Com o tempo…
Você aprende que as palavras ditas num momento de raiva, podem continuar a magoar a quem você disse, durante toda a vida…


Com o tempo…
Você aprende que desculpar todos o fazem, mas perdoar, só as almas grandes o conseguem…


Com o tempo…
Você compreende que se você feriu muito um amigo, provavelmente a amizade jamais será a mesma…


Com o tempo…
Você se dá conta de que cada experiência vivida com cada pessoa, é irrepetível…


Com o tempo…
Você se dá conta de que aquele que humilha ou despreza um ser humano,
mais cedo ou mais tarde sofrerá as mesmas humilhações e desprezos,
só que multiplicados…


Com o tempo…
Você aprende a construir todos os seus caminhos hoje, porque o terreno de amanhã é demasiado incerto para fazer planos…


Com o tempo…
Você compreende que apressar as coisas ou forçá-las para que aconteçam, fará com que no final não sejam como você esperava…


Com o tempo…
Você se dará conta de que, na realidade, o melhor não era o futuro,
mas sim o momento que estava vivendo naquele instante…


Com o tempo…
Você aprende que tentar perdoar ou pedir perdão, dizer que ama, dizer que sente falta, dizer que precisa, dizer que quer ser amigo… …junto de um caixão… …deixa de fazer sentido…


Por isso, recorde sempre estas palavras:
O homem torna-se velho muito rápido e sábio demasiado tarde.
Exatamente quando:
JÁ NÃO HÁ TEMPO!

terça-feira, 20 de março de 2012

O CORPO DE DOR



Enquanto não estiver conseguindo acessar o poder do agora, toda dor emocional que você experimenta, você deixa para trás um resíduo de tristeza que vive em você.
É misturado com a dor do passado, que já está lá, e está instalada em sua mente e em seu corpo. Isto, naturalmente, inclui a dor sofrida em sua infância, provocada pela inconsciência do mundo em que elas nasceram.
A dor é um campo energético negativo acumulado que ocupa o seu corpo e sua mente. Se você pensar nisso como uma entidade invisível com a sua própria razão de existir, você está bem perto da realidade.

É o corpo de dor emocional.

Você tem duas maneiras de ser: ativa e inativa. Uma dor do corpo pode permanecer inativa por 90% do tempo. No entanto, em uma pessoa profundamente infeliz, pode estar ativo em 100% do tempo.
Algumas pessoas vivem quase exclusivamente através de seu corpo, com dor, enquanto que outras a estão enfrentando, talvez apenas em certas situações, como no íntimo ligados ou situações passadas com perdas ou abandono físico ou emocional com feridas antigas, e assim por diante.
Tudo pode disparar, especialmente se ressoar com um padrão de dor do seu passado. Quando estiver pronto para acordar de seu estado de sono, até mesmo um pensamento ou um inocente comentário feito por alguém próximo a você pode ativá-la.

Algumas dores do corpo são extremamente desagradáveis, mas relativamente inofensivas, como uma criança que não para de chorar. Outras são mais perversas e destrutivas como monstros ou fantasmas reais. Alguns são fisicamente violentas, muitas são emocionalmente mais violentas.
Algumas vão atacar as pessoas próximas de seu ambiente, enquanto outras vão te atacar sozinho, como seu anfitrião.
Os pensamentos e sentimentos que você tem sobre a sua vida se tornam profundamente negativos. As doenças e os acidentes são muitas vezes criados desta forma. Algumas dores do organismo podem levar os seus convidados ao suicídio.
Fique atento a qualquer sinal de infelicidade em si mesmo, sob qualquer forma, pode ser o corpo-dor que está a acordar. Isto pode tomar a forma de irritação, impaciência, um estado de espírito sombrio, um desejo de mágoa, raiva, queixas, a depressão, uma necessidade de ter um drama no seu relacionamento, e assim por diante. Pegue-o na hora em que ele tentar acorda de seu estado de sono.

A dor-corpo quer sobreviver. Como qualquer outra entidade existe e só pode sobreviver se tiver quem, inconscientemente, se deixe identificar com ela. Então ela pode ser libertada, conquistar-te, tornar você, e viver.Ela precisa ter o seu alimento através de você. Ela (a dor) vai tirar qualquer lição que ressoe com a sua própria energia, independentemente do que você pensa ser um pouco mais de dor, sob qualquer forma: raiva, destrutividade, ódio, tristeza, drama emocional, violência e doença.
De modo que o corpo-dor, quando você ganhou, vai criar uma situação que reflete em sua vida de volta a sua própria energia para alimentar a sua freqüência. A dor pode apenas alimentar-se de dor. A dor não pode comer isso. É bastante indigesta.
Assim que o corpo-dor tiver ganho mais sentimentos, você terá mais dor. Você vai se tornar uma vítima ou um criminoso.
Vocês querem causar dor ou querem sofrer a dor, ou ambos. Na realidade não há grande diferença entre os dois. Você não está ciente de tudo isto, naturalmente, e afirmou com veemência que não querem a dor. Mas, olhe de perto e você verá que o seu pensamento e sua atitude são concebidos para manter a dor para você ou para os outros.

Se você fosse verdadeiramente consciente desta situação, o padrão de vibração seria dissolvido, não a quereria mais, porque a dor é loucura, e ninguém pode podem ser conscientemente loucos.

O corpo-dor, que é a sombra escura projetada pelo ego, na realidade, ele está com medo em função da sua consciência. Receio que o que eles descubram. Sua sobrevivência depende do seu inconsciente identificar-se com ele, assim como o seu inconsciente medo de enfrentar a velha dor que vive em você.
Mas se nós não enfrentamos, se não trazermos a luz de sua consciência em direção à dor, você será forçado a vivê-la, uma e outra e outra vez. A dor de corpo pode parecer um monstro perigoso que você não pode ostentar a olhar diretamente, mas asseguro-vos que é um fantasma irreal que não podem defender contra o poder da sua presença.
Alguns ensinamentos espirituais afirmam que a dor é uma ilusão em última análise, e isto é verdade. A pergunta é: Será que é a verdade para você? Uma mera crença. Quer sentir dor para o resto de sua vida e continuar dizendo que é uma ilusão?
O que nos preocupa aqui é, como é que se conta para esse ser a verdade,ou seja, torná-la real em sua própria experiência.
Então, a dor-corpo não quero que você a observe diretamente e a veja como ela é. O momento que você a observa, ela se sente no domínio da energia dentro de você e toma sua atenção para então, a identificação ser quebrada.
Uma maior consciência da dimensão da mesma é como fazer um apelo para sua PRESENÇA. Agora você é a testemunha ou o observador do corpo-dor.
Isso significa que ele não pode mais usar você fingindo ser você, e você não pode alimentá-lo através de você.
Você encontrou a sua maior fonte de força interior. Você está inscrito para poder fazer isso agora.
Eckhart Tolle

sexta-feira, 16 de março de 2012

AS REAÇÕES DO CORPO ANTES, DURANTE E DEPOIS DO USO DE DROGAS.

Hidis Helena

Introdução

Se no passado a droga estava extremamente ligada à concepção de algo mágico, religioso e médico, atualmente, devido aos excessos consumistas e mercantilistas da sociedade moderna, a droga passou a ser vista como ilegal e imoral.
Bem antes da era cristã, os gregos tratavam com esmero, através de escritores como Esquilo e Sófocles, o sofrimento humano e suas tragédias, ao mesmo tempo em que denunciavam os problemas políticos e sociais da época.
Na idade Medieval havia a ‘cultura da tortura’, onde o sofrer vinha adquirir conotação positiva, por exemplo, nas torturas e execuções públicas.
Em meados de 1973 havia nas universidades brasileiras um certo discurso e prática liberal na questão do uso da maconha, quando essas tiveram os seus centros acadêmicos desativados por força da repressão política. Outros exemplos reforçam a importância dos aspectos político-sociais, como nos Estados Unidos, que durante a guerra do Vietnã deu margem ao incremento consumo de drogas, entre adolescentes. No Líbano, antes da degeneração política e social causada pela guerra, houve denúncias da liberação de drogas como amortecedor à sociedade desfalcada de seus valores vitais.
Considerando o cérebro como milagre da evolução, uma cidade em movimento, tendo como base os neurônios e que fora pensado seu funcionamento inicial por Aristóteles. E atentando que o cérebro é onde ocorre mais gasto de energia para funcionar do que em qualquer outro órgão.
Pensando nisto, realizamos um breve estudo que intitula este artigo: “As reações do corpo antes, durante e depois do consumo de drogas”. Avaliando o sentido da dor para proporcionar prazer ilimitado, até atentando contra a vida. E indagando-nos: Como pode o corpo suportar tanto sofrimento em busca do prazer? Será que a cultura dos tempos medievais estão incorporadas até hoje? Existe mesmo um ódio ao corpo? Enfim, não defendemos a idéia de liberação do consumo de drogas e nem a dicotomia se é bom ou mau ao corpo. No entanto, nada nos impede de analisarmos a questão da droga sob prismas em que pensam as sociedades mais avançadas. A comunidade acadêmica tem o seu dever de oferecer elementos científicos e assim, influir e contribuir para com a sociedade em geral.
Utilizando-se da pesquisa bibliográfica e entrevista semi-estruturada com um ex - dependente químico, iremos delinear nosso texto.

O Corpo

Antes de adentrarmos nas reações do corpo, faz-se necessário uma breve explanação sobre o corpo. Corpo este que de acordo com o autor Battista Modin é distinto em dois elementos: psíquico (alma) e somático (corpo), utilizando a expressão “homo somaticus”; identificando assim a dimensão corpórea do homem.
O corpo é indispensável para possuir a existência, é dotado de um poder de desenvolvimento maravilhoso, pois complementa Modin (1980: 30) “O homem não só é senhor de seu corpo, como também graças a ele torna-se senhor do mundo”.
O corpo é elemento essencial do homem, pois dele serve-se para alimentar-se, reproduzir-se, aprender, comunicar, divertir-se. Pois, é a partir do corpo que o homem é um ser social, é um ser no mundo. Nosso corpo é diretamente envolvido nas boas e más ações, seja nos vícios ou virtudes.
Marcel Mauss (1974) entendia o corpo como primeiro e natural instrumento que se relacionava com os símbolos morais e intelectuais. E conceituou técnicas corporais das maneiras como os homens se servem de seus corpos.
Foi preciso o aparecimento do dualismo cartesiano para surgir a distinção de corpo e alma, o corpo como cadáver e Descartes explícita: “ o corpo não é senão aquilo que sobra da vida de uma alma”. A partir desta afirmação há a redução do corpo a uma coisa, uma máquina, com leis mecânicas calculáveis.
Sendo o corpo pensado como matéria indiferente, suporte da pessoa, na qual a identidade pessoal se dilui. Aparecendo assim como acessório da pessoa, criando uma identidade provisória, identidade esta que com uso de drogas se faz ausente e por muitas vezes transformada. E Le Breton (2003) conclui: “Mudando o corpo, pretende-se mudar a vida”.

Mecanismo geral da dependência

Existe no cérebro, uma área responsável pelo prazer. O prazer, que sentimos ao comer, fazer sexo ou ao expor o corpo ao calor do sol, é integrado numa área cerebral chamada sistema de recompensa. Esse sistema foi relevante para a sobrevivência da espécie. Quando os animais sentiam prazer na atividade sexual, a tendência era repeti-la. Estar abrigado do frio não só dava prazer, mas também protegia a espécie. Desse modo, evolutivamente, criamos essa área de recompensa e é nela que a ação química de diversas drogas interfere. Apesar de cada uma possuir mecanismo de ação e efeitos diferentes, a proposta final é a mesma, não importa se tenha vindo do cigarro, álcool, maconha, cocaína ou heroína. Por isso, só produzem dependência as drogas que de algum modo atuam nessa área. O LSD, por exemplo, embora tenha uma ação perturbadora no sistema nervoso central e altere a forma como a pessoa vê, ouve e sente, não dá prazer e, portanto, não cria dependência. Vários são os motivos que levam à dependência química, mas o final é sempre o mesmo. De alguma maneira, as drogas pervertem o sistema de recompensa. A pessoa passa a dar-lhes preferência quase absoluta, mesmo que isso atrapalhe todo o resto em sua vida. Para quem está de fora fica difícil entender por que o usuário de cocaína ou de crack, com a saúde deteriorada, não abandona a droga. Tal comportamento reflete uma disfunção do cérebro. A atenção do dependente se volta para o prazer imediato propiciado pelo uso da droga, fazendo com que percam significado todas as outras fontes de prazer.

Dependência química

As drogas acionam o sistema de recompensa do cérebro, uma área encarregada de receber estímulos de prazer e transmitir essa sensação para o corpo todo. Isso vale para todos os tipos de prazer - temperatura agradável, emoção gratificante, alimentação, sexo - e desempenha função importante para a preservação da espécie. Evolutivamente o homem criou essa área de recompensa e é nesta que as drogas interferem. Por uma espécie de curto circuito, elas provocam uma ilusão química de prazer que induz a pessoa a repetir seu uso compulsivamente. Com a repetição do consumo, perdem o significado todas as fontes naturais de prazer e só interessa o prazer imediato propiciado pela droga, mesmo que isso comprometa e ameace sua vida.
Segundo Olievenstein (1970) os “tóxicos” ou as “drogas” são substâncias que visam tanto à negação dos sofrimentos como a busca de prazeres. “Trata-se, pois, de uma situação psicoafetiva estruturando-se para encontrar um estado almejado que deve funcionar como euforizante das satisfações que o indivíduo não encontra na vida cotidiana”. Na verdade, o dependente está doente. Seu cérebro está doente, pois o seu equilíbrio biológico foi afetado, com a sensação de que não existe outro prazer além da droga.

O Antes, Durante e Depois...

“... antes é a necessidade de querer logo, o organismo pedindo. O antes dá ansiedade, gera a ansiedade (...) o durante é o prazer e o depois é o querer mais, sempre mais. Enquanto eu tô usando já é pensando em comprar mais. Todas as drogas são assim (...) acabou você quer mais... [sic]”. (Ex-dependente químico em entrevista – 20 de agosto de 2005)

A busca do prazer é uma característica positiva do ser humano. No caso das drogas, porém, ao querer superar a própria biologia por um artifício grosseiro, ele acaba se empobrecendo. O desejo de intensificar o prazer ao máximo empurra o homem para uma guerra que poderá, com muito custo, ser vencida.
Ficar longe da droga, quando se está disposto a abandoná-la, faz parte do processo de aprendizado. No exato instante em que a pessoa vê a cocaína, seu cérebro começa a preparar-se para recebê-la e dispara um mecanismo que chamamos de craving ou fissura. Isso vale para qualquer droga. Depois que ficou dependente, é quase impossível alguém ver a droga e resistir ao desejo de usá-la.
O mecanismo de recompensa cerebral é importante para a preservação da espécie e ninguém é contra o prazer. Ao contrário, deveríamos estimular o surgimento de inúmeras fontes de prazer. A dependência química, entretanto, cria uma ilusão de prazer que acaba perturbando outros mecanismos cerebrais. Se fumando um baseado a pessoa relaxa, findo o efeito, a ansiedade ganha força, pois a síndrome de abstinência é imediata. É o chamado efeito rebote.
A cocaína age de forma diferente. O efeito rebote está na impossibilidade de sentir prazer sem a droga. Passada a excitação que ela provoca a pessoa não volta ao normal. Fica deprimida, desanimada. Tudo perde a graça. Como só sente prazer sob a ação da droga, torna-se um usuário crônico. Às vezes, tenta suspender o uso e reassumir as atividades normais, mas nada lhe dá prazer. Parece que, por vingança divina, o cérebro perdeu a capacidade de experimentar outras fontes que não a desse prazer artificial que a droga proporciona. Essa é uma das tragédias a que se expõem os dependentes químicos.

“... o corpo pedindo e num chega, aí gera [um mal-estar] (...) você tosse querendo provocar (...) A agressão contra o meu corpo era usar... [sic]”. Esta era, afirma o entrevistado, a reação do corpo ao ficar na espera por mais consumo de droga. E complementa que no processo de reabilitação, quando a pessoa pára de usar droga, é fundamental ajudá-la a reencontrar fontes de prazer independentes da substância química. Pois, segundo o entrevistado (ex-dependente químico) a luta dele contra o próprio corpo, passou por diversos estágios como: dores de barriga, tremores, vômitos, porres com álcool até por tentativa de suicídio para poder retomar o controle sobre seu organismo, seu corpo. Sente que ficou seqüelas, mas prefere não pensar no assunto.
Segue abaixo uma relação das drogas mais usadas e respectivas reações:
1. Cocaína - Provoca excitação psíquica, e o usuário tem a sensação de que é forte, poderoso, invulnerável, influente e importante, de que pode tudo. Depois de algum tempo de uso, começa a achar que está sendo perseguido e espionado. A cocaína é um poderoso psico-estimulante. Provoca insônia, excitação psico motora constante, acentuada perda de autocrítica e agressividade. Quando injetada ou fumada, as conseqüências psicológicas são mais acentuadas. A cocaína é uma substância vaso constritora e, freqüentemente, causa problemas arteriais e venosos, como tromboses. O mais comum é a necrose de tecidos do septo nasal e do palato, devido a vaso constrição local, formando uma cavidade única no nariz. Às vezes, nariz e boca formam uma só cavidade. A overdose provoca convulsões, coma e morte.
2. Crack - Por atingir o cérebro em questão de segundos, provoca as alterações bioquímicas e os efeitos da cocaína mais rapidamente. O nome "crack" surgiu do som que é produzido quando a pedra de coca está sendo queimada. A cocaína fumável surgiu na Colômbia, no final da década de 70, quando os usuários começaram a fumar o bazuco, isto é, os restos do refino, que contêm substâncias corrosivas, como ácido sulfúrico e acetona. Depois, a pasta de cocaína começou ser fumada misturada com maconha, nos EUA e na Amazônia. Mais tarde começaram a produzir as pedras de crack, um precipitado de cocaína com bicarbonato aquecido em água. A droga é introduzida no organismo através da absorção em toda a mucosa respiratória, fumada com tabaco ou cachimbos improvisados com caneta esferográfica, embalagens de produtos alimentícios, isqueiros de plástico, etc. Ao se fumar uma pedra de crack, a cocaína se volatiliza e entra no organismo sob a forma de vapor, ganhando a circulação sangüínea. Quando a cocaína é introduzida no organismo através da mucosa do nariz, sua absorção se faz por uma superfície de 2 ou 3 centímetros quadrados. Sendo a mucosa do aparelho respiratório muito mais extensa que a mucosa nasal, a absorção é muito rápida e uma grande quantidade de droga atinge o cérebro em questão de segundos, como ocorre no uso por injeção endovenosa, e o usuário fica dependente mais rapidamente. Além disso, são mais freqüentes as overdoses. A cocaína fumada, o crack, assim como a injetada, é muito mais potente que a cocaína aspirada, atingindo o máximo em 15 segundos, enquanto a aspirada leva cerca de 15 minutos, além de desaparecer mais rápido, deixando uma forte vontade de usar mais, fazendo com que uma pessoa fique até vários dias seguidos usando a droga. O crack provoca os mesmos danos que a cocaína aspirada, porém, devido ao seu avassalador poder desestruturador da personalidade, age em prazo muito curto e em maior intensidade. Insônia, agitação psicomotora, agressividade, emagrecimento, perda da autocrítica e da moral, dificuldades para estabelecer relações afetivas, psicoses, comportamento excessivamente anti-social marginalidade e prostituição e lesões do trato respiratório.
3. Maconha – Tem efeito relaxante, causando uma sensação de liberdade total. Provoca uma sensação de falsa sabedoria, dando a impressão de que só o usuário e sua turma sabem sobre todas as coisas do mundo. Pode gerar euforia e hilaridade, fazendo com que se ache qualquer coisa engraçada e além de perda do sentido de tempo, despersonalização e pânico. (OMS, 1997). Estudos em animais mostraram alterações morfológicas nas sinapses, além de perda neuronal no hipocampo. É a droga mais desmotivante que existe, e o usuário não consegue assistir às aulas, trabalhar ou levantar da cama, ficando "desencanado". Provoca um déficit na atenção auditiva, isto é, tem-se a impressão de que o usuário ouve, mas não ouve. Comprometem as funções necessárias ao aprendizado, como a percepção, memória, atenção, capacidade de concentração e os processos associativos, com danos sutis à organização e integração de informação complexa. Pode provocar surtos psicóticos e aumento do risco de acidentes. Também provoca diminuição do apetite sexual (que às vezes é substituído pela droga sem que o usuário perceba) e esterilidade temporária. Danos na traquéia e brônquios.
4. Moderadores de apetite - Além do emagrecimento que já é esperado, os usuários têm sensações semelhantes às provocadas pela cocaína: excitação psíquica, euforia, insônia e coragem para enfrentar os obstáculos. Os usuários podem apresentar inquietação, surtos de depressão, angústia e psicoses. Aceleração persistente dos batimentos cardíacos e aumento do volume do coração.
5. Solventes e Inalantes (loló, lança-perfume) - O usuário sente euforia em cerca de 30 minutos, excitação psíquica, aumento da coragem e hilaridade. O uso contínuo pode levar à intoxicação grave, arritmias, morte por parada cardíaca, e sintomas como zumbido nos ouvidos, irritação ocular, visão dupla, espirros, tosse, vômitos, diarréia, lesões neurológicas e queda das condições intelectuais.

Conclusão

Considerando que vivemos em um tempo em que sofrer não faz mais sentido, somos um pouco incapazes de avaliar o sentido da dor. O sofrer vinha adquirir uma conotação positiva, sempre foi por meios culturais, integrando-a ou não a um sistema de significação, que os homens atribuíram sentido à dor, desenvolvendo diferentes ‘artes de sofrer’, que no período medieval já eram absurdas, imaginemos hoje com as drogas! No caso a tortura era garantia de salvação, naquele contexto simbólico, enquanto que com as drogas ocorre por meios de curiosidade humana, divertimento, “prazer mentiroso”, fuga da realidade e findando na destruição do próprio corpo.
No distanciamento entre o corpo e sua dor faz-se um exercício de expansão dos meios técnicos da exploração homem pelo homem. Forçando a tolerância do corpo, por meio de analgésicos, anestésicos, calmantes, estimulantes, fortificantes, enfim, drogas de um modo geral, em vez de modificar as condições de vida.
Confirmamos que o corpo sofre desde tempos antigos, mas atualmente tenta fugir mais do que nunca das dores do mundo, dos problemas do cotidiano e por conta disto tenta a todo custo o prazer que poderá levar o corpo ao óbito. O homem tem direito ao prazer, mas existem formas diferentes de senti-lo sem atentar contra a própria vida.

Referências Bibliográficas:
OLIEVENSTEIN, C., La Drogue. Paris: PUF, 1970.
PONTES, Cleto Brasileiro. A Droga Hoje. Fortaleza: Fundação Demócrito Rocha, 1990.
RODRIGUES, J. C. Espírito e Matéria. In: O corpo na história. Rio de Janeiro: Fiocruz, 1999.
MONDIN, Battista. O Homem, quem é ele? Elementos de Antropologia filosófica. São Paulo: Edições Paulinas, 1980.
MAUSS, Marcel. As técnicas corporais. In: Sociologia e Antropologia. São Paulo: EPU, v.1, 1974.
LE BRETON, David. Adeus ao corpo: antropologia e sociedade. Campinas – SP: Papirus, 2003.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Você conhece alguém que antes de dormir fica remoendo
todos os erros que cometeu durante o dia que passou ?
Visite: mensagens, papel de parede, filmes, videos
Antes que o outro dia chegue, ele já se preocupa e planeja
como irá corrigir os erros cometidos no dia anterior ?

Você conhece alguém que, ao acordar, já vê o dia
como sendo uma enorme montanha a ser nervosamente
escalada antes que anoiteça outra vez ?

Ele não consegue relaxar um minuto sequer, ocupando-se
o tempo todo e já pensando no que vai fazer em seguida ?

Ele nem sente o sabor da comida nas horas de refeição?
Tem profundas olheiras, corpo dolorido,
pernas e braços cansados ?

Você conhece alguém que deixa tudo para a última hora
e depois se desespera porque o tempo acaba não sendo
suficiente para ele fazer tudo que andou protelando ?

Ele se queixa que 24 horas são pouco para quem tem
muito para resolver, gerenciar, providenciar,
fazer, fazer e fazer ?

Você conhece alguém que já não consegue se divertir,
já não sabe sorrir, sempre sério, atormentado, exaurido, frustrado
com os poucos resultados que obtém como “paga”
do tanto que faz ?

Ele reclama que os ganhos são poucos, que a família é
complicada, que o chefe é um tirano, que os empregados
são incompetentes e que os amigos só aparecem
quando tudo vai bem ?

Você conhece alguém que responsabiliza a Vida pelas coisas
que não dão certo, que não saem como ele queria ?

Ele se sente um outro Cristo crucificado, sacrificado
e parece um poço de dores e de decepções ?

Você conhece alguém que se imagina sendo o alvo
de todos os problemas e mazelas do mundo ?

Ele costuma dizer que será feliz quando o mundo mudar,
quando as pessoas o entenderem, quando o tempo melhorar,
quando as finanças ajudarem ?

Você conhece alguém assim ?
Será que ele sabe que todo esse caos é atraído por sua
própria cabeça, cheia de pensamentos desordenados ?

Será que ele sabe que tudo que o incomoda é reflexo
do modo como ele pensa, age e interage com o mundo exterior ?

Não seria bom dar-lhe um “toque”, contando que o
“lado de fora” só vai mudar quando ele mudar seu
“lado de dentro” ?

Aqui se espera que você não tenha concluído que esse alguém
é você mesmo, mas se não for, a semente está plantada.

E ainda é deixada uma amorosa sugestão:
adote uma cabeça abandonada
A SUA

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Você já riu hoje?





Rir é mais comum do que pensa e pode trazer benefícios que você nem imagina
Por Thaís Bronzo

Rir é uma das coisas mais comuns que fazemos em nosso dia-a-dia. E os motivos para tantas gargalhadas são inúmeros.

“Acho engraçado os desenhos da TV. E rio também quando fazem cosquinhas em mim”, diz Maria Clara Lima Divetta, cinco anos.

“Eu dou muita risada com minha cachorra, quando meu namorado conta piadas, quando minha mãe tenta falar em inglês e não sai nada”, relembra, rindo, supervisora de telemarketing Bruna Meante, 22 anos.

“Histórias engraçadas sempre me fazem rir. Nem sempre piada é engraçada, mas situações inusitadas que acabam sendo engraçadas, tombos, essas coisas, me fazem rir”, conta a jornalista Mayra Dugaich, 21 anos.

A neurocientista Silvia Helena Cardoso explica que a maioria dos nossos risos não está diretamente ligada ao humor. “Nós rimos, essencialmente, em situações sociais e geralmente em momentos de felicidade, prazer e brincadeiras”, garante. Mas o riso é muito mais do que uma mera manifestação de alegria, ele também ameniza manifestações de agressividade e hostilidade. “Repare como utilizamos o riso quando queremos atenuar uma típica tensão entre estranhos ou necessitamos dizer ‘não’ a alguém. Freqüentemente rimos quando nos desculpamos. O riso desarma as pessoas, cria uma ponte entre elas e facilita o comportamento amigável”, completa. Ou seja, a função do riso é comunicar, passar a mensagem de que somos amigáveis e estamos dispostos a nos envolver com outras pessoas.

Além da questão social, o riso também provoca efeitos positivos em nosso organismo: diminui o estresse, a ansiedade, a dor, reforça a imunidade. Segundo Silvia Helena, o riso desencadeia diversas reações fisiológicas:
-Ativa o sistema cardiovascular, aumentando a freqüência cardíaca e a pressão arterial. Com a dilatação das artérias, há uma queda da pressão;
-Aumentando o fluxo sanguíneo nos órgãos por causa das contrações fortes e repetidas dos músculos da parede torácica, abdômen e diafragma;
-Aumenta o fluxo de oxigênio no sangue por causa da respiração forçada (“O ‘Ha! Ha! Ha!’ do riso”, como explica a neurocientista); e
-Diminui a tensão muscular.

Com tantas vantagens, a medicina já começou a utilizar o riso como forma de remédio em seus tratamentos, como é o caso dos “Terapeutas do Riso”. Um grupo de artistas que, vestidos de jalecos brancos e com caras de palhaço, leva humor a pacientes de todas as idades internados em hospitais. “O palhaço tem o poder de diminuir, aliviar as dores, provocar em cada um a descoberta da capacidade e o poder de transformar o ambiente, estimular a alegria, a vontade e o desejo de reação, o relaxamento e a naturalidade das expressões e vontades, amenizar o sofrimento, diminuir o estresse”, garante a coordenadora geral do projeto Dalvinha Gomes (apelido como é conhecida no grupo). O trabalho de transmitir o riso é duplamente satisfatório: pela redução de cerca de dez por cento no tempo de internação do paciente e pelo sorriso de quem recebe esses “médicos-palhaços”.

E então, que tal colocar em prática a terapia do riso em sua vida?

Se rir é o melhor remédio, por que não começar agora?

Coordenadora dos “Terapeutas do Riso” dá dicas para viver melhor

Por Thaís Bronzo
O riso é um excelente remédio para o ser humano, tem ação prolongada, é prazeroso e não tem contra-indicação.

De acordo com a coordenadora geral dos “Terapeutas do Riso”, Dalvinha Gomes (apelido como é conhecida no grupo), existem algumas dicas para viver melhor:
-Pensar sempre no que se quer e nunca, nunca no que você não quer e não gosta. Pois o ser humano tem a tendência a pensar, a falar nas coisas que não gosta e não quer para a sua vida. Somos o que pensamos e falamos;
-Sempre pensar que nós só merecemos o melhor, isso quer dizer: ter pensamento positivo sempre;
-Que hoje é o melhor dia do ano;
-Olhar o lado engraçado e divertido das pessoas;
-Praticar o exercício de rir de você mesmo;
-Somos pessoas ativas de nossa história e não vítimas da história; e
-Seja igual ao palhaço: mostre o seu ridículo e divirta-se!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Você é o reflexo de suas atitudes!





Certo dia, uma moça desiludida resolveu seguir o exemplo dos "contos da infância". Colocou-se frente ao seu espelho e perguntou: - Querido espelho, olhe para mim e me diga: Existe alguém mais infeliz do que eu? - Com certeza, respondeu o espelho, existe alguém mais triste que tu neste momento. E este alguém sou eu. A moça olhou espantada. Não esperasse que um espelho falasse, e ainda contra ela. Mas o espelho prosseguiu: - Tu não imaginas a dor que eu sinto ao ver, no meu reflexo, uma pessoa que deixou seus problemas tomarem conta de sua vida, que não tem mais vontade de lutar e principalmente que não consegue ver dentro de si as suas qualidades suas capacidades, seu talento. Queria que estivesse no meu lugar pra ver. - Tu és uma pessoa tão inteligente, que fala para todos que tem um Deus, e tantas vezes falou do amor de Deus, agora se mostra tão derrotado. Deus é tão pequeno assim em tua vida para que tu te sintas tão inferior assim? - É pena que tu não vejas através de mim toda a tua facilidade em lidar com as pessoas, o quanto é expressiva a tua voz e tua palavra, quanto teu coração é forte, e o quanto às pessoas te amam. Olhe para ti! Levanta essa cabeça, pois dificuldades todos temos, assim como todos guardam dentro de si algo especial para dar, a capacidade de tornar a própria vida prazerosa. - Quantas são as pessoas que gostariam de ser como tu és: saudável, inteligente e com toda a vida pela frente! e no entanto, muitas delas são felizes e agradecem a Deus pelas suas vidas! Use a tua sensibilidade - ela é essencial para a vida. Motive-se: ao acordar pela manhã, pense algo do tipo: "hoje meu dia será produtivo, alegre e cheio de vida, pois tenho Deus comigo." Faça isso com amor no coração e concentre em teus objetivos. De hoje em diante, quero ver outra imagem refletida em mim. Uma imagem de alegria interior. A vida é tão curta. Não percas tempo com os momentos ruins. Faça deles experiências positivas para continuar tua vida. Ser feliz depende de uma vida em comunhão com Deus e em harmonia contigo mesmo. O que vem depois disso, são apenas resultados.
ESTRESSE, ANSIEDADE E ESGOTAMENTO
Dr. Geraldo Ballone

 
 
Ansiedade e Estresse
É normal sentir Ansiedade ?
Como sentimos emocionalmente a ansiedade ?
Como sentimos fisicamente a Ansiedade? Fisiologia do Estresse
Como começa o Estresse ?
Podemos nos acostumar ao Estresse ?
Quando nos esgotamos ?
O Esgotamento
O que favorece o Esgotamento ?
O que se pode sentir no Esgotamento ?
Tipos de Estressores
O que é um Estressor ?
O que é um Estressor forte e um Estressor fraco ?
Quando e Quem se Esgota
Disposição Pessoal
Condições Emocionais Atuais
Quando surge o esgotamento

 
ESTRESSE, ANSIEDADE E ESGOTAMENTO
Em nossos ancestrais, assim como em outros animais superiores, o mecanismo da Ansiedade (e Estresse) foi destinado à sobrevivência diante dos perigos concretos e próprios da luta pela vida. Era o caso, por exemplo, das ameaças de animais ferozes, das guerras tribais, das catástrofes do tempo, da busca pelo alimento, da luta pelo espaço geográfico, etc. No ser humano moderno, apesar dessas ameaças concretas não mais existirem tal como existiram outrora, seja por sua natureza, seja por sua freqüência, esse equipamento biológico continuou existindo, persistiu em nossa biologia a capacidade de reagirmos ansiosamente diante das ameaças.
Com a civilidade do ser humano, outros perigos apareceram e ocuparam o lugar daqueles que estressavam nossos ancestrais arqueológicos. Hoje em dia, tememos a competitividade e a segurança sociais, a competência profissional, a sobrevivência econômica, as perspectivas futuras e mais uma infinidade de ameaças abstratas e reais. Enfim, tudo isso passou a representar a mesma ameaça que as antigas questões de pura sobrevivência, as quais ameaçavam nossos ancestrais. Se na antigüidade tais ameaças eram concretas e a pessoa tinha noção exata do objeto a combater (fugir ou atacar), localizável no tempo e no espaço, hoje em dia esse objeto de perigo vive dentro de nós. As ameaças são abstratas, mas nem por isso menos agressivas; elas vivem, dormem e acordam conosco.
Se, em épocas primitivas o coração palpitava, a respiração ofegava e a pele transpirava diante de um animal feroz a nos atacar, se ficávamos estressados diante da invasão de uma tribo inimiga, hoje em dia nosso coração bate mais forte diante do desemprego, dos preços altos, das dificuldades para educação dos filhos, das perspectivas de um futuro sombrio, dos muitos compromissos econômicos cotidianos e assim por diante. Como se vê, hoje nossa Ansiedade é continuada e crônica. Se a adrenalina antes aumentava só de vez em quando, hoje ela está aumentada quase diariamente.
Ansiedade, Estresse e Esgotamento são termos de uso corrente na vida moderna e, devido a enorme freqüência com que aparecem em nosso discurso cotidiano, ninguém gosta de pensar neles como formas de algum transtorno emocional, é claro. Para um esclarecimento inicial, vamos ver as diferenças entre eles, se existem.
 
ANSIEDADE E ESTRESSE
É normal sentir Ansiedade ?
A Ansiedade seria uma atitude normal e global do organismo, portanto fisiológica, responsável pela sua adaptação a alguma situação nova e atual. O simples ato de despertarmos e nos levantarmos pela manhã, exige de nosso organismo um pequeno grau de ansiedade necessário para nos adaptarmos à nova situação; antes dormindo, depois acordado e, agora, levantado. Essa (pequena) ansiedade é então normal e necessária.
Em outras situações do cotidiano necessitamos de um grau de ansiedade maior. Vejamos, por exemplo, as mudanças acontecidas em nossa performance física quando um cachorro feroz tenta nos atacar, quando fugimos de um incêndio, quando passamos apuros no trânsito, quando tentam nos agredir e assim por diante. Diante de situações novas, às vezes perigosas, nossa performance física pode ter um desempenho extraordinário, pode fazer coisas que normalmente não seríamos capazes de fazer em situações mais calmas. Se não existisse esse mecanismo que nos coloca em posição de alerta ou alarme, que é a ansiedade, talvez nossa espécie nem teria sobrevivido às adversidades encontradas pelos nossos ancestrais.
Entretanto, embora a Ansiedade favoreça a performance e a adaptação do indivíduo às circunstâncias, ela o faz somente até certo ponto, até o ponto onde nosso organismo atinja um máximo de eficiência. A partir desse ponto máximo de adaptação a Ansiedade, ao invés de contribuir, promoverá exatamente o contrário, ou seja, poderá resultar na falência da capacidade adaptativa. A partir desse ponto crítico, a Ansiedade será tanta que não mais favorecerá a adaptação, promovendo então o Esgotamento da capacidade adaptativa. Vejamos ao lado, a ilustração de um gráfico hipotético, onde teríamos um aumento da adaptação proporcional ao aumento da Ansiedade até um ponto máximo, com plena capacidade adaptativa. A partir desse ponto o desempenho ou adaptação cai vertiginosamente. Aí se caracteriza o que chamamos de Esgotamento. Esgotamento da capacidade adaptativa.
Cientificamente a Ansiedade é a mesma coisa que Estresse. Ao experimentar a Ansiedade o organismo estaria experimentando o Estresse, embora no conceito leigo, quando se diz que Fulano está com Estresse, as pessoas querem dizer que Fulano está atravessando uma fase de extrema Ansiedade e, possivelmente, de Esgotamento. Assim sendo, apenas para facilitar o entendimento cultural da questão, vamos dizer aqui que Estresse seria a mesma coisa que Ansiedade exagerada ou patológica.
Devemos considerar o Estresse uma ocorrência fisiológica e normal no reino animal. O Estresse é a atitude biológica necessária para a adaptação do organismo a uma nova situação. Em medicina entende-se o Estresse como uma ocorrência fisiológica global, tanto do ponto de vista físico quanto do ponto de vista emocional. As primeiras pesquisas médicas sobre o Estresse estudaram toda uma constelação de alterações orgânicas produzidas no organismo diante de uma situação de agressão.
Fisicamente o Estresse aparece quando o organismo é submetido a uma nova situação, como uma cirurgia ou uma infecção, por exemplo, ou, do ponto de vista psico-emocional, quando há uma situação percebida como de ameaça. De qualquer forma, trata-se de um organismo submetido a uma situação nova (física ou psíquica), pela qual ele terá de lutar e adaptar-se, conseqüentemente, terá de superar. Portanto, o Estresse é um mecanismo indispensável para a manutenção da adaptação à vida, indispensável pois, à sobrevivência.
Do ponto de vista fisiológico, o Estresse é, por assim dizer, uma atitude fisiológica (normal) responsável pela adaptação do organismo às situações de perigo. Vejamos, por exemplo, as mudanças acontecidas em nossa performance física quando um cachorro feroz tenta nos atacar, quando fugimos de um incêndio, quando passamos apuros no trânsito, quando tentam nos agredir e assim por diante. De frente para o perigo nossa performance física faz coisas extraordinárias, coisas que normalmente não seríamos capazes de fazer em situações mais calmas. Se não existisse esse mecanismo a nos colocar em posição de alerta ou alarme, talvez nossa espécie nem teria sobrevivido às adversidades encontradas pelos nossos ancestrais.
Como a Ansiedade (ou Estresse) tem uma conotação global ao organismo, ela proporcionará alterações físicas e emocionais. Vejamos ambas.
Como sentimos emocionalmente a ansiedade ?
Psicologicamente, e normalmente, a Ansiedade aparece em nossa vida como um sentimento de apreensão, uma sensação de que algo está para acontecer, uma expectativa e um estado de alerta. Quando mais intensa, a Ansiedade é responsável por uma constante pressa em terminar as coisas que ainda nem começamos, um estado de "susto crônico e contínuo".
É assim que o Domingo das pessoas ansiosas tem uma apreensão de segunda-feira e antes de dormirem já pensam em tudo que terão de fazer quando o dia amanhecer. É a corrida para não deixar nada para trás. É um estado de alarme contínuo e uma prontidão para o que der e vier. As férias são tranqüilas e festivas apenas nos primeiros dias mas, logo em seguida, começam a se agitar: ou porque sentem que não estão fazendo alguma coisa que deveriam fazer, embora não saibam bem o que, ou porque pensam em tudo aquilo que terão de fazer quando as férias terminarem.
Quando a Ansiedade é crônica e exagerada, ou quando há Esgotamento conseqüente, surge um quadro clínico mais exuberante. Nas diferentes pessoas esse quadro de Ansiedade patológica pode assumir características também diferentes. Algumas pessoas traduzem seu Esgotamento num quadro de Fobia, outras apresentam Pânico, outras ainda, manifestam Somatizações, alguns se sentem deprimidos e assim por diante. Veremos isso adiante.
 
Como sentimos fisicamente a Ansiedade?
Fisicamente há, no Estresse ou Ansiedade, alterações bastante significativas. A necessidade de se adaptar tem início no Sistema Nervoso Central (SNC) e daí passa a comprometer todo o organismo. A região neurológica mais importante para o início do processo orgânico de ansiedade é o Hipotálamo, uma região capaz de integrar uma série de informações recebidas pelo SNC. Depois de integradas essas informações o Hipotálamo age sobre a "glândula chefe" do sistema endócrino, a Hipófise, situada em seu assoalho.
A Hipófise, então, como "glândula chefe" , passa a estimular toda a constelação endócrina do organismo. As Supra-Renais (cuja produção inclui adrenalina e cortisona) são glândulas da maior importância no processo de Ansiedade e Estresse. Portanto, através de um esquema neuro-endócrino-visceral todo organismo participará da atitude do Estresse e da Ansiedade, como veremos adiante.
Segundo Kaplan, a Ansiedade patológica tem uma ocorrência duas vezes maior no sexo feminino e se estima que até 5% da população geral tenha algum tipo de Transtorno de Ansiedade. Sendo a Ansiedade uma grande mobilizadora do Sistema Nervoso Autônomo, neste tipo de transtorno encontramos, sobretudo, uma rica sintomatologia física. Esta é uma razão mais que suficiente para que tais pacientes freqüentemente percorram um exaustivo itinerário médico. Sobre a sintomatologia geral da Ansiedade aumentada, comumente se observa pelo menos SEIS dos 18 sintomas seguintes:
 
 
01 - tremores ou sensação de fraqueza 10 - náuseas e diarréia
02 - tensão ou dor muscular 11 - rubor ou calafrios
03 - inquietação 12 – polaciúria (urina muitas vezes)
04 - fadiga fácil 13 – sensação de bolo na garganta
05 - falta de ar ou sensação de fôlego curto 14 - impaciência
06 - palpitações 15 - resposta exagerada à surpresa
07 - sudorese, mãos frias e úmidas 16 - pouca concentração ou memória prejudicada
08 - boca seca 17 - dificuldade em conciliar e manter o sono
09 - vertigens e tonturas 18 – irritabilidade

 

Esses sintomas são de natureza inespecífica, podendo surgir indistintamente em todas as pessoas submetidas à forte estresse. Trata-se de manifestações basicamente psico-neuro-biológicas conseqüentes ao desequilíbrio do Sistema Nervoso Autônomo. Tal quadro costuma estar relacionados ao Estresse crônico, tem um curso flutuante (vão e vêem) e tendência a cronificação quando não tratado.
Por outro lado, além das manifestações gerais e inespecífica da Ansiedade, podemos ter uma repercussão individual, pessoal e de acordo com as predisposições de personalidade. Aí surgem então os quadros e sintomas psíquicos da Ansiedade Patológica.
FISIOLOGIA DO ESTRESSE
Tendo em vista que o objetivo principal do Estresse é favorecer a adaptação do organismo, muitos autores chamam esse processo todo de Síndrome Geral de Adaptação. Essa síndrome foi inicialmente descrita por Hanz Selye e consiste em três fases sucessivas: Reação de Alarme, Fase de Resistência e Fase de Exaustão. Sendo que a última, Fase de Exaustão, é atingida apenas nas situações mais graves e, normalmente, persistentes. Vejamos uma a uma.
Como começa o Estresse?
O Estresse começa com a Reação de Alarme, esta se subdivide em dois estados, a fase de choque e a fase de contra-choque. As alterações fisiológicas na fase de choque, momento onde o indivíduo experimenta a ameaça ou estímulo adverso (estressor), são muito exuberantes (Quadro 1).
Durante a Reação de Alarme, o chamado Sistema Nervos Autônomo (SNA) participa ativamente do conjunto de alterações fisiológicas. Trata-se, este SNA, de um complexo conjunto neurológico que controla, autonomamente, todo o meio interno do organismo através da ativação e inibição dos diversos sistemas, vísceras e glândulas.
Durante a Fase de Choque da Reação de Alarme, que é como o susto inicial do estresse, predomina a atuação de uma parte deste SNA chamado de Sistema Simpático, o qual proporciona descargas de adrenalina da medula da glândula supra-renal e de noradrenalina das fibras pós-ganglionares para a corrente sanguínea. Alguns estudos mais recentes sugerem que a emoção da raiva, quando dirigida para fora, estava associada mais à secreção de noradrenalina. Entretanto, na depressão e a na ansiedade, onde os sentimentos estão dirigidos mais para si próprio, a secreção de adrenalina predomina.
 
 
QUADRO 1 - ALTERAÇÕES INICIADAS NA FASE DE CHOQUE DA REAÇÃO DE ALARME
ALTERAÇÕES
OBJETIVOS
a) aumento da frequência cardíaca e pressão arterial o sangue circulando mais rápido melhora a atividade muscular esquelética e cerebral, facilitando a ação e o movimento
b) contração do baço levar mais glóbulos vermelhos à corrente sanguínea e melhora a oxigenação do organismo e de áreas estratégicas
c) o fígado libera glicose
 
 
para ser utilizado como alimento e energia para os músculos e cérebro
d) redistribuição sanguínea diminui o sangue dirigido à pele e vísceras, aumentando para músculos e cérebro
e) aumento da frequência respiratória e dilatação dos brônquios favorece a captação de mais oxigênio
f) dilatação das pupilas para aumentar a eficiência visual
g) aumento do número de linfócitos na corrente sanguínea preparar os tecidos para possíveis danos por agentes externos agressores

 
Ainda durante essa fase em que está havendo estimulação estressante aguda, uma parte do Sistema Nervoso Central denominado Hipotálamo promove a liberação de um hormônio, o qual, por sua vez, estimula a hipófise (glândula situada no assoalho do Hipotálamo) a liberar um outro hormônio, o ACTH. Este último ganha a corrente sanguínea e estimula as glândulas Supra-renais para a secreção de corticóides.
Como percebemos, toda a seqüência de acontecimentos tem origem no cérebro, e o Hipotálamo é que acaba disparando a sucessão de eventos orgânicos do Estresse. Ao mesmo tempo em que esse Hipotálamo está providenciando a estimulação da Hipófise para secreção do ACTH, também proporciona a secreção outros neuro-hormônios (hormônios produzidos no cérebro), tais como os chamados peptídeos cerebrais, como é o caso das endorfinas (que modificam o limiar para dor), STH (que acelera o metabolismo), prolactina e outros.
Passada a necessidade de Estresse, ou seja, desaparecendo os agentes estressores, todas essas alterações tendem a se interromper e regredir. Se, no entanto, por alguma razão o organismo continua sendo submetido à estimulação estressante, portanto, continua sendo obrigado a manter seu esforço de adaptação, uma nova fase acontecerá. Trata-se da Fase de Resistência.
Podemos nos acostumar ao Estresse ?
Durante algum tempo sim. É a chamada Fase de Resistência, a qual se caracteriza, basicamente, pela hiperatividade da glândula supra-renal sob influência do SNC através do Diencéfalo, Hipotálamo e Hipófise. É uma fase que surge quando persiste a ação do estímulo estressor e, nesse período, há um aumento no volume da supra-renal, concomitante a uma atrofia do baço e das estruturas linfáticas e um continuado aumento dos glóbulos brancos do sangue (leucocitose).
Se os estímulos estressores continuam, tornando-se crônicos e repetitivos, a resposta começa a diminuir de intensidade e pode haver uma antecipação das respostas. É como se o organismo se acostumasse com os estressores. Vamos imaginar, hipoteticamente, uma pessoa que se deparasse com uma cobra no meio de sua sala, quase todas as vezes que entrasse em casa. Com o tempo sua reação ao ver a (mesma) cobra tende a diminuir, embora ainda continue tomando muito cuidado.
Vai chegar um momento em que, mesmo não vendo a cobra, ficará estressado diante da simples possibilidade de encontrá-la. Talvez tenha grande ansiedade ao imaginar onde poderia estar hoje a tal cobra. Diz um ditado que a diferença entre medo e ansiedade é exatamente essa; medo é encontrar uma cobra dentro do quarto, e ansiedade é saber que deve ter uma cobra dentro do quarto. Continuando ainda o agente estressor o organismo vai à terceira fase da Síndrome Geral de Adaptação, a Fase de Exaustão.
Quando nos esgotamos ?
Nos esgotamos quando, por excesso de uso, começam a falhar os mecanismos de adaptação e déficit das reservas de energia. Essa fase é chamada de Esgotamento e é grave, podendo até levar à morte alguns organismos, notadamente alguns pássaros, animais silvestres mantidos em cativeiro... A maioria dos sintomas somáticos e psicossomáticos fica mais exuberante nessa fase.
Como se supõe, a resistência do organismo não é ilimitada. As modificações biológicas que aparecem nessa fase se assemelham aquelas da Reação de Alarme em sua etapa de choque mas, ao contrário desta, no esgotamento o organismo já não é capaz de equilibrar-se por si só e sobrevém a falência adaptativa.
O ESGOTAMENTO
O que favorece o Esgotamento ?
O que se entende por Esgotamento, estado que resulta da persistência crônica da ansiedade exagerada, pode ter origem em duas situações; uma por questões circunstanciais e outra por situações pessoais.
A primeira situação é quando um indivíduo emocionalmente normal tem que se adaptar a um estímulo (externo ou interno) significativamente importante e que persiste continuadamente. Nesse caso haveria Esgotamento por falência adaptativa devido aos esforços (emocionais) continuados para superar a situação estressora persistente.
Normalmente os estímulos capazes de levar ao Esgotamento por persistência do agente estressor costumam ser de natureza adversa e ameaçadora, quer dizer, estímulos que seriam ameaçadores tanto para a pessoa que a ele reage, como também para quaisquer outras pessoas eventualmente submetidos à mesma situação. Neste caso o problema do Esgotamento é externo à pessoa, dependendo da adversidade e persistência do estímulo, ou seja, trata-se de um problema mais circunstancial que pessoal.
A segunda situação seria o Esgotamento que aparece quando a pessoa não dispõe de estabilidade emocional suficientemente para adaptar-se a estímulos não tão traumáticos ou adversos. Isso quer dizer que a pessoa sucumbiria, emocionalmente, diante de situações não tão ameaçadoras a outras pessoas colocadas na mesma situação.
Não obstante, esses estímulos seria estressores ou particularmente agressivos a essa determinada pessoa, seria uma ameaça subjetivamente representada mais para essa pessoa em particular do que para as demais pessoas. Neste caso o problema do Esgotamento seria mais pessoal que circunstancial.
Digamos então, que o Esgotamento, ou a Ansiedade crônica e patológica, poderia surgir diante de duas situações: decorrendo daquilo que a realidade do mundo traz para pessoa (circunstancial) e, por outro lado, decorrendo daquilo que a pessoa traz ao mundo (pessoal). A primeira representada pelo destino da pessoa e a segunda pelo seu perfil emocional pessoal.
O que se pode sentir no Esgotamento ?
Diante do Esgotamento, o organismo todo pode entrar em sofrimento. É como se esgotasse não apenas sua capacidade de adaptação às diversas circunstâncias de vida mas, sobretudo, como se perdesse a capacidade de se adaptar a si mesmo. Nesses casos de Esgotamento, há acentuado prejuízo do limiar de tolerância aos estímulos externos e acentuada inadequação ambiental.
Existe uma vasta lista de sintomas vagos e inespecíficos desencadeados pelo Esgotamento, sintomas estes, muitas vezes misteriosos e dificilmente esclarecidos por exames médicos.
 
 
 
Lista 1 SINTOMAS VAGOS DOS ESTADOS DE ESGOTAMENTO
Dores sem causa física:
cabeça, abdominais, pernas, costas, peito e outras
Alterações do sono:
insônia ou sonolência excessiva
Perda de energia:
desânimo, desinteresse, apatia, fadiga fácil 
Irritabilidade:
perda de paciência, explosividade, inquietação
Ansiedade: 
apreensão contínua, inquietação, às vezes medo inespecífico
Baixo desempenho:
alterações sexuais, memória, concentração, tomada de decisões
Queixas vagas:
tonturas, zumbidos, palpitações, falta de ar, bolo na garganta


TIPOS DE ESTRESSORES
O que é um Estressor ?
A ansiedade e o estresse não são monopólios do ser humano. Se colocarmos um gato junto de um cão feroz, depois de algum tempo de estresse o gato ficará esgotado; primeiro ele terá muita ansiedade, entrará em estresse e, pela continuidade do estímulo ameaçador (presença do cão), acabará se esgotando. Nesse exemplo, o cão é o estressor do gato e este é o estressor do cão.
Tendo em vista o fato do gato representar uma ameaça menos ameaçadora para o cão do que o cão para ele, o cão também acabará com esgotamento, porém, provavelmente bem depois do gato. Nesse exemplo, o cão representa para o gato um estímulo agressivo externo, por estar fora do gato e, inato, por fazer parte da natureza biológica de todos os gatos.
Assim sendo, os estressores (estímulos) que desencadeiam a ansiedade nos animais podem ter duas naturezas e uma só origem: quanto à natureza eles podem ser inatos, do tipo gato tem medo de cachorro ou, por outro lado, podem ser condicionados por treinamento e experiência. Quanto à origem, serão sempre externos, partindo do pressuposto que os animais não têm condições para alimentar conflitos intrapsíquicos.
No ser humano, ao contrário dos animais, esses estressores costumam ter duas origens. Eles podem ser externos e, principalmente, internos. Os estímulos estressores externos representam as ameaças do cotidiano de cada um, seja uma ameaça física, tanto sobre a segurança pessoal quanto em relação à saúde, seja uma ameaça moral, econômica, etc., enfim, são ameaças exteriores à pessoa. Por sua vez, as ameaças internas provêem dos conflitos pessoais de cada um, os quais, em última instância, refletem sempre nossa sensibilidade afetiva diante da vida, das perspectivas futuras, da situação atual e mesmo das desavenças passadas.
Como se suspeita, no ser humano os estímulos internos são aqueles que desempenham maior papel no desenvolvimento e manutenção do estresse. Essas ameaças normalmente são interiores, abstratas, continuamente presentes e freqüentemente invencíveis.
Podemos dizer, por exemplo, que a possibilidade de ficar doente seja uma séria ameaça, um estímulo estressor importante. É claro que é. Entretanto, se essa idéia vier sempre e obsessivamente à nossa consciência, podemos experimentar uma grande ansiedade ou, ao contrário, não experimentaremos tanta ansiedade se essa idéia não for freqüente. Esse tipo estímulo estressor é interno e não externo. Seria um estímulo externo caso houvesse, de fato, sinais clínicos de que nossa saúde está abalada. Enquanto houver apenas o medo de passar mal, de poder ficar doente, isso será uma ameaça interna.
Ora, enquanto nos animais os estressores (estímulos agressivos) externos aparecem periodicamente, de acordo com o destino de cada um, no ser humano a presença dos estressores internos pode ser continuada. Havendo uma afetividade problemática, insegurança e/ou pessimismo, a pessoa sentirá as ameaças internas continuamente e, nessas circunstâncias, poderemos ter o esgotamento por persistência do agente estressor.
É por causa desses estressores internos contínuos que a ansiedade humana tem sido constante, exagerada e às vezes patológica. As ameaças externas, pelo contrário, não costumam ser constantes. Vejamos o caso das ameaças concretas sobre nossa segurança pessoal, por exemplo: a ameaça de sermos assaltados, agredidos, mortos, etc. A possibilidade até existe, mas não é contínua. Há situações onde podemos nos sentir seguros, racionalmente falando.
Não obstante, os estressores internos costumam ser mais emocionais que racionais. Isso quer dizer que podemos estar ansiosos devido ao medo de sermos assaltados e agredidos, embora essa possibilidade seja mínima na prática. Além disso, podemos nos deparar com o medo do desemprego, da derrota competitiva, da falta de segurança social e econômica, ou qualquer outra coisa que não se encontra palpável no tempo ou no espaço (como é o assaltante). Nós convivemos, vamos dormir e acordamos, com essas ameaças internas.
Resumindo, vamos ter que os estímulos necessários para determinar a ansiedade são provenientes de duas origens: serão externos, quando se devem à sucessão de acontecimentos de nossa vida aos quais temos que nos adaptar e, serão internos, quando se originam dentro de nós mesmos, de nossos medos, nossos pensamentos negativos, nossas inseguranças.
 
O que é um Estressor forte e um Estressor fraco ?
Vários autores tentaram estabelecer alguma espécie de graduação de importância para os vários estímulos estressores possíveis no cotidiano. Embora algumas listas possam dar a idéia de grau ou da força variável dos estressores, como por exemplo, separação conjugal seria mais estressante que mudança de emprego e menos estressante do que a morte do filho. Entretanto, essas tabelas perdem o valor quando consideramos que as pessoas são muito diferentes quanto à sensibilidade e a forma de reagir aos desafios impostos pela vida.
Algumas pessoas podem superar perfeitamente perdas importantes, enquanto outros podem desenvolver transtornos emocionais como resposta a acontecimentos de menor importância. As variáveis pessoais desempenham um papel decisivo na maneira de reagir aos eventos de vida.
De um modo geral, pelo menos é bom termos em mente que existem categorias de estressores que nos impõem grandes esforços adaptativos, como por exemplo, a morte de um ente querido, uma grande perda, severos revezes econômicos, constatação de doença séria, etc., e, ao lado desses, existem os pequenos acontecimentos estressantes do cotidiano que acontecem com maior freqüência na vida das pessoas. Finalmente, existe ainda a influência dos conflitos íntimos pessoais.
Mas, além dos acontecimentos considerados estressantes para desencadear e manter o estresse há, também, necessidade de uma certa vulnerabilidade pessoal à ansiedade. Vulnerabilidade pessoal é uma espécie de tendência constitucional ou natureza pessoal a reagir mais ansiosamente aos estímulos estressantes.
Um exemplo médico para entender melhor o estresse seria, a reação alérgica. Se, dentro de um mesmo ambiente impregnado de bolor, existirem 10 pessoas e 3 delas reagirem com espirros, coriza e lacrimejamento como sinais de alérgica ao mofo, não se pode, medicamente falando, atribuir ao fungo ou bolor a causa direta da alergia. Se assim fosse todos os demais também teriam essa reação. Para ocorrer a reação alérgica é indispensável existir, além do o mofo, também a sensibilidade pessoal do alérgico.
Finalizando, a natureza mais forte ou mais fraca de um agente estressor dependerá não apenas do agente em si mas, sobretudo, da sensibilidade da pessoa que está experimentando esse estímulo.
QUANDO E QUEM SE ESGOTA
Devemos ter em mente, que a ansiedade e ou o estresse não são doenças em si, mas podem proporcionar o desenvolvimento de outros males. A ansiedade e o estresse podem ser entendidos como tentativas do indivíduo (veja que não uso o termo mental nem físico) em se adaptar a alguma situação nova, tratam-se de uma mobilização global do organismo que aparece quando este é submetido a uma tensão suficientemente forte.
Como vimos acima, são necessárias causas exteriores e interiores para haver o estresse e, conseqüentemente, o esgotamento. Supondo que o ser humano moderno vive entre sua casa, seu trabalho e a sociedade cultural à qual pertence, as causas exteriores do estresse (agentes estressores) são, possivelmente, oriundas desses 3 ambientes.
Supondo também que para o desenvolvimento do estresse patológico, é necessária uma certa sensibilidade pessoal, sem a qual os agentes (estressores) ocasionais não seriam capazes de produzir a reação de estresse, teremos que considerar as disposições pessoais dos indivíduos que se estressam.
Finalmente, devemos entender essas disposições pessoais necessárias para a ansiedade patológica e para o estresse, como sendo uma combinação entre os traços pessoais de personalidade, juntamente com a qualidade psíquica atual da pessoa que se estressa.
 
 
CAUSALIDADE DA REAÇÃO DE ESTRESSE
CAUSAS EXTERIORES CAUSAS INTERIORES
No trabalho Condições Emocionais Atuais
No lar Disposições Pessoais
Na sociedade

Disposição Pessoal
O termo Disposição Pessoal se refere aos traços de personalidade que fazem da pessoa um ser único, logo, com um jeito todo próprio de se relacionar com a realidade. Existem pessoas naturalmente mais ansiosas que as outras, portanto, mais vulneráveis às situações capazes de produzir a ansiedade. Essa Disposição Pessoal acaba por caracterizar uma maneira da pessoa ser (não de estar).
Podemos observar características diferentes entre as diferentes pessoas desde tenra idade, até em berçários; entre os recém nascidos há aqueles mais ansiosos, que choram mais diante do estímulo da fome, que reagem mais agitadamente que outros ao frio, aos estranhos, etc. Esse traço que exalta a maneira ansiosa de reagir pode ser herdado geneticamente ou adquirido ao longo da vida, normalmente devido a uma sucessão exagerada de eventos que exigem grande esforço adaptativo.
Na vida prática, as pessoas com traço marcante de ansiedade costumam reagir estressadamente diante de estímulos que, normalmente, para outras pessoas não seriam tão estressantes assim.
Condições Emocionais Atuais
Neste caso estamos falando do estado psíquico atual da pessoa, de como está se sentindo emocionalmente neste momento. Algumas pessoas podem ser vítimas de uma sucessão de eventos estressantes e acabar se esgotando, mesmo que não tenha em sua personalidade traços de ansiedade exagerada. Nesses casos houve, realmente, um excesso de agentes estressores que acabou por comprometer a capacidade adaptativa de uma pessoa emocionalmente normal.
Quando surge o esgotamento
Podemos idealizar um esquema bastante sugestivo que mostra as duas situações onde é possível surgir o Esgotamento. A Figura 2, mostra duas situações propícias ao Esgotamento. Na primeira, vê-se contrabalançando com a possibilidade de esgotamento uma pessoa com grande potencial ansioso submetido a uma carga pequena de agentes estressores (AE). Na segunda, vê-se o contrário, ou seja, uma pessoa com potencial ansioso pequeno, mas submetido à grande quantidade de agentes estressores (AE).
O Autor